Primeiro-ministro assume orientação e monitorização “mais apertada” do dossiê Chã para o seu cumprimento

São Filipe, 21 Mar (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, admitiu segunda-feira, na ilha do Fogo que vai assumir a orientação e monitorização, de forma “muito apertada”, o dossiê Chã das Caldeiras, para a resolução dos problemas ainda pendentes.

Confrontando com a carta aberta de um jovem deslocado de Chã das Caldeiras, Ulisses Correia e Silva, que se encontrava no Fogo, no quadro da conferência comemorativa dos 27 anos do MpD, afirmou  que não responde cartas, mas que as reivindicações, desde que sejam legítimas e representam de facto o sentimento e as preocupações da população, o seu Governo está disponível para dialogar e procurar a melhor solução.

Para ultrapassar os problemas de Chã das Caldeiras, o Chefe do Governo indica que foi encontrado um modelo, que considera a melhor, e que envolve a participação das três Câmaras, estando o executivo a trabalhar em conjunto com as autarquias, para resolver, em definitivo, os problemas relacionados com o programa de emergência, que ainda está aberto, porque falta resolver o problema do assentamento.

Em relação ao assentamento, explicou, houve várias alternativas mas ainda não se fixou em definitivo a zona para as novas construções, apesar da disponibilidade de dinheiro e do concurso ter sido lançado, faltando apenas chegar o acordo com as pessoas para a sua concretização.

O primeiro-ministro explicou que, para o assentamento o compromisso é para a construção de 45 habitações, sublinhando que as pessoas terão de compreender que “não há dinheiro de forma indefinida” e que uma vez determinada a zona de assentamento as pessoas podem construir, podendo o Governo criar programas para facilitar essas construções.

“Estamos a intervir num programa de emergência e não num programa de construção de novas casas para novos utentes”, disse Ulisses Correia e Silva, para quem o importante é a retoma da vida normal das pessoas, porque, conforme explicou, se elas têm rendimentos não ficam à espera do Estado.

Relativamente às actividades geradoras de rendimento (AGR),  que no dizer de Ulisses Correia e Silva, está ligado ao assentamento, serão reforçadas, assim como a intervenção na estrada de acesso, através de melhoria do piso, e, posteriormente, procurará, no âmbito do Plano de Ordenamento de Chã das Caldeiras, zonas alternativas para novas acessibilidades.

Para o Chefe do Governo, toda a intervenção está condicionada a duas coisas: , primeiro é preciso fechar o programa de emergência, e, segundo, não pôr em causa o futuro desta zona que tem um grande potencial, dai o cuidado do Governo com as acções a serem desenvolvidas.

Para o Ulisses Correia e Silva é necessário, de um lado, resolver a curto prazo as reivindicações legítimas da população e, do outro, salvaguardar o futuro, sem pôr em risco uma zona com grande potencial para a economia da ilha, como é Chã das Caldeiras, Parque Natural e a classificação de toda a zona como biosfera mundial, o que poderá trazer grandes vantagens.

Confrontado com a preocupação dos deslocados, segundo os quais, já se passou muito tempo para a resolução do problema, o primeiro-ministro firma que o seu Governo não esteve e nem está parado, apontando como exemplo a intervenção na adega provisória que permitiu salvar a produção do ano passado, a substituição das cestas básicas em transferências bancárias e o acesso a água.

Mas admitiu que há problemas relacionados com rendas e com o processo de atribuição de bolsas ou subsídios aos estudantes (27) originários de Chã das Caldeiras e que se encontram a frequentar as universidades, questões que vão ser equacionadas brevemente, segundo prometeu.

Ulisses Correia e Silva comprometeu-se em reforçar a acção para que, brevemente,  um conjunto de problemas seja resolvido, como o  do acesso alternativo, fixação em definitivo da zona (ou zonas) de assentamento, definição das áreas onde se pode construir, lembrando que tudo isso exige uma capacidade de diálogo e abertura das duas partes.

“Da parte do Governo,  há uma total abertura, as câmaras estão a trabalhar, e da parte da população há vontade e temos que pegar e avançar”, disse, esclarecendo que isso não é uma guerra, em que de um lado está o Governo e as câmaras e do outro a população.

JR/JMV

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