Presidente da República participa hoje em Lisboa das exéquias da cirurgiã Helena Lopes da Silva

Cidade da Praia, 11 Set (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca participa hoje, em Lisboa, de uma cerimónia fúnebre em memória da cirurgiã cabo-verdiana e membro do Conselho da República, Helena Lopes da Silva, falecida no sábado, 08, aos 69 anos de idade.

Jorge Carlos Fonseca, que já se encontra na capital portuguesa para onde viajou esta madrugada, participa da cerimónia que terá lugar às 18:00 locais no auditório do Hospital de Santa Maria onde a cirurgiã Helena Lopes da Silva se exerceu por mais de 30 anos, acto que contará também com a presença do Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa e várias outras individualidades.

Familiares da malograda contactadas pela Inforpress, informaram que já no domingo tinha-se realizado um velório com a presença de muitos amigos e colegas, estando o funeral aprazado para o fim da manhã de quarta-feira.

Conforme apurou a Inforpress, a notícia este sábado da morte de Helena Lopes da Silva, popularmente conhecida por “Lena Pantchol”, apanhou desprevenido não só os familiares como uma lista enorme de amigos, provocando enorme consternação, pois, aparentemente gozava de boa saúde, estando sempre bem-disposta.

Jorge Carlos Fonseca, que foi informado do triste acontecimento pela Inforpress, uma vez que se encontrava de visita à ilha do Maio, ficou “abalado” com a notícia tendo manifestado mais tarde em nota de imprensa, o seu profundo pesar pela morte da malograda.

“Foi com profunda dor e consternação que recebi a notícia do falecimento de Helena Lopes da Silva, em Portugal, amiga pessoal de longa data e Conselheira da República. Um desaparecimento repentino e inesperado que representa uma perda profunda, primeiro para a família e para Cabo Verde”, disse.

Jorge Carlos expressou ainda que Helena Lopes da Silva, desde dos seus tempos de estudante de Medicina, foi “incansável” lutadora na defesa dos ideais humanitários, além de ter integrado movimentos políticos portugueses e cabo-verdianos, inclusive na clandestinidade.

“Era uma das maiores referências da comunidade cabo-verdiana em Portugal, sempre preocupada e oferecendo a sua competência, lá onde fosse preciso”, salientou, sublinhando ainda, que já no período de consolidação democrática, quer em Portugal quer em Cabo Verde, as ideias e a voz de Helena Lopes da Silva foram sempre escutadas, sobretudo em Cabo Verde, onde ocupava actualmente um lugar no Conselho da República, tendo-lhe acompanhado em diversas visitas oficiais.

 

A médica cirurgiã Helena Lopes da Silva, foi também fundadora do Bloco de Esquerda (BE) e sua ativista, tendo este partido do arco político português feito no sábado, 08, o anúncio oficial do seu passamento, sublinhando que a mesma foi “opositora à ditadura do Estado Novo, e bateu-se pela democracia e pela independência das antigas colónias portuguesas, antes do 25 de Abril”.

Em 2015, foi condecorada pelo Presidente da República de Cabo Verde com o Segundo Grau da Ordem Amílcar Cabral. Fazia parte do Conselho de Estado do país.

Helena Lopes da Silva nasceu e viveu e estudou em Cabo Verde até ao décimo primeiro ano de escolaridade. Quando terminou o liceu, teve de ir continuar os estudos em Portugal aos 18 anos de idade, porque, na época, não existia universidade em Cabo Verde.

Licenciada em Medicina em 1974-75, pela Faculdade de Medicina de Lisboa, com 14 valores, Helena Lopes da Silva passou o concurso da Admissão ao Internato de Especialidade com 93% de respostas certas, tendo realizado a cirurgia geral no período de 1981/1987 com a classificação de 19 valores no exame final, sendo a 1ª classificada num grupo de cinco candidatos.

Desde então a esta parte foi desenvolvendo um enorme curriculum em crescendo, sendo membro do Colégio de Especialidade de Cirurgia da Ordem dos Médicos desde 1993.

Nos anos lectivos de 1982 e 1983, a convite da Direcção da Escola de Enfermagem Calouste Gulbenkian, lecciona a Cadeira de Patologia Médico-Cirúrgica ao Curso de Equiparação do Curso de Enfermagem Psiquiátrica ao de Enfermagem Geral.

Entretanto, a sua actividade cirúrgica abrange toda a cirurgia geral gastrointestinal, ginecológica, da glândula tiroideia, da parede abdominal e das varizes, tendo contabilizado ao longo da sua carreira profissional mais de 4000 (quatro mil) cirurgias como cirurgiã e milhares de ajudas como ajudante e várias centenas como ajudante sénior dos internos em formação e de especialistas mais jovens.

A sua formação cirúrgica foi iniciada oficialmente em 1981, portanto há 37 anos, e fazia questão de sublinhar o facto de ter integrado no Serviço de Patologia Cirúrgica dirigida à época pelo Prof Celestino da Costa, integrada na equipa do Dr. Diaz Gonçalves com os Assistentes Drs. Rocha Pires e José Mendes do Vale, com quem trabalhou a sua graduação em Assistente Hospitalar.

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