PR celebra centenário do Tarrafal advogando um “importante olhar” para o Campo de Concentração

 

Tarrafal, 25 Abr (Inforpress) – O Presidente da República considerou hoje que não é possível celebrar o centenário do concelho do Tarrafal, interior de Santiago, sem um “importante” olhar para o Campo de Concentração de Chão Bom, ao discursar na cerimónia comemorativa desta efeméride.

No entender de Jorge Carlos Fonseca, este olhar torna-se necessário sobretudo “nos tempos actuais em que existe uma tendência absoluta para a relativização de quase tudo, para a constante secundarização do que devia ser permanentemente priorizado e em que, por causa disso, existe, também, um grande esforço no sentido de defender e promover importantes referências éticas e políticas”.

Posto isto, o estadista cabo-verdiano considera igualmente fundamental que essa estrutura desempenhe hoje a sua função essencial de testemunha “muito eloquente” de importantes facetas da humanidade, não apenas com o propósito de glorificar heróis, de recordar sempre os que foram violentados e até assassinados  por causa das suas ideias e das suas utopias, mas igualmente com o fito de desnudar essa “faceta tenebrosa” que o Campo contém e que também faz parte da humanidade.

Acredita, o Chefe de Estado, que, mais do que nunca, pedaços da vida e da história que o Campo de Concentração do Tarrafal contém, devem ser perenizados, numa perspectiva dinâmica que impõe a preservação do passado como referência preventiva para os perigos de hoje.

“Todos temos o dever de tudo fazer para preservar esse importante monumento e de contribuir para que ele venha a ser reconhecido património da humanidade”, defendeu.

Neste dia 25 de Abril, de “importância inestimável” para Cabo Verde, Portugal e outras ex-colónias portuguesas e que permitiu a libertação dos últimos presos políticos da era colonial-fascista, apela para que se assuma, com determinação, o compromisso de continuar a fazer do Museu da Resistência um farol que se alimenta das agruras e heroicidades do passado para construir, em permanência, trilhos de liberdade e dignidade humana.

A chegada dos primeiros presos políticos para a Colónia Penal do Tarrafal, que passaria à história como Campo de Concentração do Tarrafal, ou também Campo da Morte Lenta, data de 29 de Outubro de 1936.

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