Presidente da República alerta para necessidade de criação de medidas de política para o consumo de álcool

 

Cidade da Praia, 04 Mai (Inforpress) – O Presidente da República congratulou-se hoje com as medidas que vem sendo cauteladas para diminuir o consumo de álcool e alertou para a necessidade de se mobilizar e criar medidas de política para o seu impacto na vida das pessoas.

Jorge Carlos Fonseca, que falava no acto da abertura da segunda plenária de parceiros de iniciativas presidenciais, neste caso particular sobre a campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, referia-se à contribuição que esta campanha vem cumprindo junto dos produtores, consumidores e vendedores do álcool.

“Apesar do quadro pouco animador, preocupante mesmo, estou optimista, porque, em grande parte graças a vocês, nunca no nosso país, se falou tanto do alcoolismo, como agora. Nunca a problemática dessa doença pareceu chamar tanto a atenção”, disse, salientando que a campanha tem mobilizado milhares de crianças, jovens e adultos.

A campanha, realizada em parceria com o Ministério da Saúde e Segurança Social, o Ministério de Educação e a Organização Mundial da Saúde (OMS), está, segundo o Chefe do Estado a franquear uma etapa que, neste momento, tem com desafio o concretizar alguns propósitos da comissão, entre eles a descentralização das actividades para outras ilhas e municípios.

Neste contexto, Jorge Carlos Fonseca é de opinião que tudo deve ser feito para que todos fiquem a saber que a utilização do álcool sem controlo ameaça a saúde, a estabilidade familiar, bem como a capacidade produtiva.

Chamou a atenção, ainda, para a necessidade de se analisar aspectos relacionados com o uso de bebidas alcoólicas de forma a propor às autoridades competentes medidas que contribuam para a prevenção do seu uso imoderado, nas esferas da produção, importação e distribuição.

Para o representante da OMS em Cabo Verde, Mariano Salazar Castellón, os sinais do consumo de álcool em Cabo Verde são “alarmantes” e podem piorar pelo volume, qualidade e acesso fácil a que os jovens e outras possuem, assim como a limitação da fiscalização das leis existentes nesta matéria.

O aumento da violência e acidentes rodoviários, as consequências negativas na saúde, são para este representante da OMS aspectos que fundamenta a preocupação com aumento do consumo, sem esquecer a relação que tem com diversos transtornos mentais e comportamentais, câncer, doenças cardiovasculares e infeciosas.

Já o representante do ministro da Saúde, José Teixeira, que realçou as estratégias que o sectro da saúde vem desenvolvendo para dar respostas ao consumo do álcool, esta não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de desenvolvimento, que diz respeito a todos, sendo os pobres os que mais atenção necessitam.

Isso porque, sublinhou, dados confirmam que quando mais baixo for o nível de desenvolvimento socioeconómico, maiores são os problemas de saúde relacionados com o álcool.

A directora nacional da Educação que falou em nome da ministra, referiu-se sobre o trabalho que vem sendo feito para a educação dos jovens cabo-verdianos quanto a prevenção e ao não consumo do álcool.

A comissão da campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, levada cabo pela Presidência da República desde Julho de 2016, é constituída uma equipa multidisciplinar que entre debates e reflexões sobre vários assuntos de natureza económica e social, deve identificar a forma mais adequada da Presidência contribuir para a erradicação ou pelo menos redução do alcoolismo no país.

Segundo o relatório global sobre o álcool e a saúde 2014, Cabo Verde tem uma frequência superior à média africana de perturbações ligadas ao consumo de álcool (5,1%) e a mais alta percentagem de mortes associadas ao álcool entre os lusófonos africanos (3,6%).

Os cabo-verdianos consomem uma média de 6,9 litros de álcool puro por ano, tendo como referência o ano de 2010, ligeiramente mais do que em 2003-2005 (6,5 litros), número que sobe para 17,9 litros quando se excluem os 61,4% de abstémios do país.

PC/CP

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