Presidente da FECAP diz que seria um “volte face” a prática do ensino da religião nos estabelecimentos de ensino

Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) – O presidente da Federação Cabo-verdiana dos Professores (FECAP), João Cardoso, considerou hoje, na Cidade da Praia, que seria um “volte face” a introdução da prática do ensino da Religião nos estabelecimentos de ensino.

Em conferência de imprensa, no dia em que se comemora o Dia Nacional dos Professores, João Cardoso defendeu que a implementação da religião não vai resolver os problemas de delinquência nas escolas, fuga dos alunos e do insucesso escolar.

“Não é uma poção mágica que vai resolver todos os problemas, por isso pensamos que a religião deve ser trabalhada junto das famílias”, notou o sindicalista, lembrando que cada professor e aluno tem a sua confissão religiosa.

João Cardoso sublinhou que seria um retrocesso , memorando o tempo que foram tiradas das escolas e das salas de aula os crucifixos e as imagens de santos.

“Não preterindo nenhuma religião, isso poderá ser uma bagunça e vai trazer mais problemas do que melhorias”, advertiu João Cardoso, esclarecendo que a FECAP nunca foi contactada pelo Ministério de Educação para essa eventual introdução.

Adiantou, no entanto, que a FECAP tomou conhecimento dessa “hipotética” introdução da religião nos currículos escolares das escolas públicas através da comunicação social.

A implementação da disciplina da Educação Moral e Religiosa nas escolas públicas está prevista no acordo jurídico entre a Santa Sé e o Estado Cabo Verde, assinado em Junho de 2013.

O acordo regulamenta questões sobre o matrimonio canônico, locais de culto, educação católica, o cuidado pastoral no serviço militar, em prisões e hospitais.

OM/JMV

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