Presidente cessante do Mali alerta contra “manobras” de fraude eleitoral

Bamako, 12 Ago (Inforpress) – O Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, candidato hoje à reeleição, alertou contra “manobras” e “encenações” de fraude eleitoral, pouco depois de a oposição ter denunciado um processo de manipulação em curso.

Mais de 8,4 milhões de eleitores do Mali são chamados a votar hoje na segunda volta das presidenciais, nas quais o Presidente cessante, Ibrahim Boubacar Keïta, é considerado favorito face ao líder da oposição, Soumaïla Cissé.

“Há manobras que estão em curso para fazer acreditar que estamos numa lógica de fraude”, afirmou Keïta aos media após votar num bairro pobre de Bamako, situado perto da sua casa.

“Como enganar quando há a garantia da estima do seu povo? Porquê tentar enganar”, questionou o candidato à reeleição presidencial, pedindo que não haja resposta a “qualquer tipo de provocação”.

Poucas horas antes, Soumaïla Cissé, ex-ministro das Finanças, de 68 anos, tinha dito que os boletins de voto estão a “circular pelo país” para facilitar a vitória do candidato que está no poder.

Numa conferência de imprensa à noite, o seu chefe de campanha, Tiébilé Dramé, exibiu um caderno de cinquenta boletins selados, mas apreendidos por um “agente de Bamako” encarregado pela distribuição, como prova da manipulação do escrutínio.

Na primeira ronda, a 29 de Julho, os resultados apresentados pela presidente do Tribunal Constitucional, Manassa Danioko, mostraram o actual chefe de Estado, Ibrahim Boubacar Keïta, também conhecido por IBK, como o mais votado, com 41,70% dos votos.

Cissé, que reuniu 17,78% dos boletins válidos, contestou estes resultados, alegando que não eram “verdadeiros ou credíveis”.

A oposição, que acusou o poder de utilizar o clima de insegurança no país para manipular as eleições, apresentou vários recursos contra os resultados da primeira volta, mas foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional.

Os dois defrontam-se hoje à semelhança do que aconteceu nas eleições de 2013, que IBK venceu com mais de 77% dos votos.

O Presidente cessante é o claro favorito, face a uma oposição cada vez mais dividida e que deixa Soumaïla Cissé com menos hipóteses de vencer.
O país vive uma situação de insegurança e crise política desde o golpe de Estado militar de 2012, a que se seguiu uma rebelião independentista dos tuaregues no norte, apoiados por grupos jihadistas locais.

No ato eleitoral de hoje, que decorre entre as 08:00 e as 18:00 locais (entre as 09:00 e as 19:00 em Lisboa), a segurança será garantida por 36 mil militares, cerca de 20% mais que na primeira volta, a 29 de Julho.

A comunidade internacional deverá seguir com atenção esta segunda ronda, mas o desfecho da votação deverá ter pouco efeito sobre os milhares de milhões de dólares de ajuda que Bamako recebe, de acordo com especialistas citados pela agência France-Presse.

Com cerca de cem observadores na primeira volta eleitoral, a União Europeia, o maior doador internacional do Mali, exigiu a publicação de resultados discriminados e pediu mais transparência na segunda ronda, bem como a garantia de acesso a todos os locais de votação – a 29 de Julho, cerca de 250 mil eleitores não conseguiram votar no centro e no norte do país.

A diplomacia maliana instou a UE a “não atrapalhar o processo eleitoral”.
Entre as contribuições directas da Comissão Europeia e as dos Estados-Membros, os 28 pagam anualmente ao Governo maliano, para o seu bom funcionamento, cerca de 400 milhões de euros, num total de projectos em curso superiores a dois mil milhões de euros.

Os Estados Unidos da América, por sua parte, anunciaram que vão reduzir drasticamente o apoio de cerca de 100 milhões de dólares (87,55 milhões de euros) entre 2017 e 2018, dos quais 81,5 milhões previstos para este ano, mas não precisaram qual será a verba nem os motivos para o corte.

Além da UE, o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e o Canadá financiam directamente o orçamento operacional do Governo do Mali, um dos países mais pobres do mundo.

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