Povo rohingya pede apoio à comunidade internacional durante visita de Guterres ao Bangladesh

Kutupalong, Bangladesh, 02 Jul (Inforpress) – Centenas de rohingya pediram hoje o apoio da comunidade internacional durante a visita do secretário-geral da ONU, António Guterres, aos campos de refugiados no sudeste do Bangladesh, que abrigam cerca de 915 mil membros dessa minoria muçulmana.

As chuvas e a lama, consequências do período das monções na região, não impediram centenas de rohingya de saírem das suas tendas para pedir ajuda ao secretário-geral da ONU, que está no país em visita oficial de dois dias.

“Queremos voltar à Birmânia como cidadãos dignos, com segurança e com todos os nossos direitos”, disse à agência de notícias espanhola EFE Amir Ahmed, um dos manifestantes no acampamento sobrelotado de Kutupalong.

Os acampamentos no Bangladesh acolhem cerca de 915 mil rohingya, incluindo cerca de 700 mil que chegaram a partir de Agosto e que cruzaram a fronteira da Birmânia com o Bangladesh para escapar à repressão do exército birmanês, que foi desencadeada após o ataque de um grupo rebelde rohingya no oeste do estado de Rakhine.

Um representante dos rohingya em Kutupalong, Mohammad Mohibulla, disse à EFE que entregarão um documento com 13 reivindicações ao secretário-geral da ONU, que está a viajar no país com o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

Mohibulla, que preside à Sociedade Rohingya para os Direitos Humanos de Rakhine, explicou que, entre as reivindicações estão o julgamento daqueles que “cometeram genocídio” contra o seu povo e ainda a compensação pela perda de vidas e bens materiais.

“Queremos que a ONU desloque tropas de maneira ininterrupta para Rakhine. Queremos cidadania plena para as pessoas da etnia rohingya”, disse o presidente da associação, ao contrário dos cartões de identificação anunciados pela Birmânia, que os reconheceriam apenas como “bengalis”.

As autoridades birmanesas não reconhecem os rohingya como um grupo étnico distinto, uma vez que os consideram imigrantes do Bangladesh que chegaram de forma ilegal à Birmânia, por isso não lhes atribuem a cidadania ou direitos.

A pressão internacional levou as autoridades birmanesas e bengalis a assinarem um acordo a 23 de Novembro para a repatriação dos membros da minoria muçulmana rohingya, sendo que os refugiados no Bangladesh iriam voltar para a Birmânia a partir de 23 de Janeiro.

No entanto, sete meses após a assinatura do acordo, o processo formal de repatriamento ainda não começou.

Inforpress/Lusa

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