Porto Novo: Produtos das zonas agrícolas ainda livres de mil pés podem ser exportados sem restrições

 

Porto Novo, 30 Jun (Inforpress) – Os produtos cultivados nas zonas agrícolas ainda livres da praga dos mil pés no Porto Novo, Santo Antão, podem vir a ser exportados, sem restrições, para os mercados nacionais, uma questão que está a ser analisada pelo Governo.

Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Norte e Chã de Branquinho são os vales ainda livre dos mil pés, cujos excedentes, além das ilhas turísticas, podem passar a ser exportados para outros mercados nacionais, com destaque para Santiago, um assunto que está a ser ponderado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA).

Na sua recente visita a Santo Antão, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, confirmou que é intenção do Governo “estudar os mecanismos” e ver a possibilidade de os produtos provenientes desses vales circulem livremente nos mercados nacionais.

Trata-se, segundo o chefe do Governo, de uma medida que terá grande impacto na vida dos agricultores e da própria agricultura no Porto Novo, que se assume, cada vez mais, como o maior produtor de horticultura em Santo Antão, já que aumenta a capacidade de absorção, por parte dos mercados nacionais, dos excedentes cultivados nessas localidades, de grande potencial agrícola.

O MAA está, igualmente, a criar as condições para o melhor aproveitamento do centro de expurgo do Porto Novo, instalado em 2010, para contornar o problema do embargo, imposto aos produtos agrícolas de Santo Antão, desde 1984.

A má localização desse centro, que fica nos arredores da cidade do Porto Novo, tem sido a principal razão da sua sub-utilização, segundo o MAA, que promete criar as condições para que essa infra-estrutura seja melhor aproveitada.

Segundo os agricultores em Santo Antão, o embargo imposto, há mais de três décadas, aos produtos agrícolas de Santo Antão, devido à praga de mil-pés, está a “sufocar” a classe, que insiste na necessidade de o Governo proceder ao levantamento dessa medida de quarenta.

No concelho do Porto Novo, graças aos investimentos realizados na mobilização de água, nos últimos anos, a agricultura, particularmente a horticultura, está a ganhar “uma grande dinâmica”, segundo os agricultores, para quem “o embargo continua a estrangular” o sector.

O Governo, com a entrada em funcionamento do centro de expurgo do Porto Novo e com a formação de 30 inspectores, procedeu, a partir de 2013, ao levantamento parcial do embargo, restringindo a exportação dos excedentes apenas aos mercadores turísticos emergentes da Boa Vista e do Sal.

Os produtores agrícolas santantonenses defendem que o embargo “deve ser revisto” e permitir que “os produtos agrícolas de Santo Antão voltem a circular, livremente, pelas ilhas de Cabo Verde”.

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, aproveitou a estada do chefe do Governo em Santo Antão, nos últimos dias, para pedir que ” a questão do embargo” seja revista “mais profundamente”, diferenciando os vales ainda sem a praga dos mil pés.

Segundo o autarca, é possível que produtos dessas localidades sejam exportados “sem o risco de contaminação”.

A praga dos “mil-pés” surgiu em Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim, trazidas por um agricultor santantonense.

Com a sua proliferação, e como forma de impedir o seu alastramento às outras ilhas, as autoridades decretaram, em 1984, o embargo aos produtos agrícolas de Santo Antão, medida que foi sempre contestada pelos agricultores.

Desde então, a agricultura, enquanto principal actividade económica de Santo Antão, entrou em “claro declínio”, devido à perda de mercado, segundo os produtores.

A operacionalização do centro pós-colheita, em 2013 (foi instalado em 2010), acabou por minimizar o problema de mercado, mas os agricultores tem estado a pedir o fim da quarenta, sem quaisquer reservas.

JM/JMV

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