Porto Novo: Famílias rurais vítimas da seca começam a deslocar-se para os centros urbanos

 

Porto Novo, 10 Dez (Inforpress) – Famílias do Planalto Norte do Porto Novo, localidade considerada a mais fustigada pela seca, em Santo Antão, começam a deslocar-se para os centros urbanos à procura de melhores oportunidades para driblar a situação.

Pelo menos, três famílias deixaram já Planalto Norte para se fixar na cidade do Porto Novo, onde esperam conseguir contornar a situação da seca, considerada uma das piores dos últimos dez anos.

O representante da Cáritas no Porto Novo, João Ramos, durante o encontro de apresentação do programa de emergência, realizado esta semana, confirmou a deslocação dessas famílias e pediu às autoridades competentes para criarem as condições de modo a evitar que mais famílias deixem as suas comunidades em direcção aos centros urbanos.

Segundo indicou, trata-se de famílias que precisam de água e emprego para garantir a sua sobrevivência.

Dizem “cansadas” de esperar pela câmara e pelo Governo, tendo, por isso, optado por procurar sobreviver em outros sítios, onde, a seu ver, há melhores condições de vida.

Líderes comunitários, abordados pela Inforpress, lamentam que se esteja a atrasar a implementação do programa de emergência para a mitigação da seca, numa altura em que “o desemprego tem levado muitas famílias ao desespero”, sublinham.

No caso do Planalto Norte, Fidel Neves, porta-voz da população local, alerta para a “situação dramática” em que se encontram as famílias nesse planalto, alertando à Câmara Municipal do Porto Novo e ao Governo para, ” o mais depressa possível” abrir uma frente de trabalho nessa localidade para acudir às pessoas.

“Já deviam, há muito tempo, ter aberto uma frente de trabalho no Planalto Norte, onde as pessoas estão em situação muita complicada”, disse Fidel Neves.

O edil do Porto Novo disse, recentemente, que as pessoas no seu concelho já não aguentam esperar mais tempo pelo programa de emergência, anunciado pelo Governo em Setembro.

“Não há condições para a as pessoas aguentarem mais”, alertou Aníbal Fonseca.

No quadro do programa de emergência para a mitigação da seca, a câmara do Porto Novo vai ter à sua disposição uma verba de 25 mil contos para gerar, durante 14 meses e 500 postos de trabalho, em todo o município.

Esse montante consta de um contrato-programa já assinado entre o Governo e a edilidade que já tem a garantias de receber dentro em breve, pouco mais de oito mil contos, respeitante a 30% do montante previsto no contrato-programa.

Além dos 25 mil contos, a autarquia terá ainda no quadro desse contrato-programa, uma verba de quase três mil contos para o abastecimento de água, auto transportada, aos criadores de gado.

Ao todo, o concelho do Porto Novo vai receber, no quadro do programa em apreço, 80 mil contos para o salvamento do gado, mobilização de água e criação de empregos para as famílias em situação de maior vulnerabilidade.

JM/FP

Inforpress/Fim