Porto Novo: Espectro de mais um ano seca deixa preocupadas 500 famílias que dependem da pecuária

Porto Novo, 22 Set (Inforpress) – Com o espectro de mais um ano de seca no concelho do Porto Novo, em Santo Antão, onde, praticamente, ainda não choveu, o desalento começa a apoderar-se das cerca de 500 famílias, cujo sustento depende, sobretudo, da pecuária.

Estima-se que meio milhar de famílias neste município tem a pecuária como principal actividade de rendimento, razão pela qual a falta de chuva começa a gerar uma situação de desanimo neste concelho santantonense, que continua, até agora, à espera das precipitações.

No Planalto Norte, onde existe um efectivo pecuário de cerca de sete mil cabeças de gado, apenas dois dos nove povoados foram, até agora, bafejados pelas chuvas, uma situação que, segundo o porta-voz da população, Fidel Neves, exige já a intervenção das “autoridades competentes”.

“No Planalto Norte, choveu um pouco apenas em Bolona e Chã de Feijoal. As outras localidades estão ainda à espera e a situação começa a agravar-se, como é caso de Pascoal Alves”, avisou este morador, defendendo a reabertura das frentes de trabalho nesses povoados para socorrer as quase 70 famílias.

Em grande parte do Planalto Leste, cuja população depende, também, da agricultura de sequeiro e da pecuária, ainda não choveu para o desalento das famílias dessa localidade.

Somente esses dois planaltos, estima-se que 375 famílias estão em situação de vulnerabilidade, devido à seca, a mais grave dos últimos dez anos, no município do Porto Novo, onde 62 por cento (%) da população rural depende da pecuária para garantir o seu sustento.

As autoridades municipais já admitiram o cenário de mais um ano de seca no concelho do Porto Novo, cujo 90 por cento (%) do território espera ainda pelas precipitações.

Segundo o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, este ano, praticamente, ainda não choveu neste município, que começa a enfrentar “uma situação muito preocupante” à esta altura do ano.

“Estamos, realmente, preocupados. Vamos esperar, mas a situação é muito preocupante”, alertou o autarca, que avançou, todavia, que este município já dispõe de “um plano de contenção de prevenção” para “qualquer eventualidade”, com medidas já definidas para acudir às famílias em caso de “uma nova seca” no Porto Novo.

Uma das quais prende-se com a criação de emprego e salvamento do gago, num concelho com um dos maiores efectivos pecuários a nível do pais (mais de 23 mil cabeças de gado), avançou.

“O que eu posso avançar é que, em Março, trabalhámos, com a delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), num plano de contenção de prevenção para qualquer eventualidade, com vários cenários”, notou, adiantando que, em caso de uma nova seca, medidas estão definidas para “mitigar” a situação das populações que possam vir a ser afectadas.

JM/JMV

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