Porto Novo: Autoridades preocupadas com sustentabilidade do sistema de produção de água dessalinizada

Porto Novo, 03 Set (Inforpress) – As autoridades municipais têm estado a alertar para os problemas que estão a pôr em risco o sistema de produção de água dessalinizada na cidade do Porto Novo, em Santo Antão, considerado “altamente deficitário”.

O edil do Porto Novo voltou, este domingo, a chamar a atenção para a necessidade de se resolver a questão do défice tarifário, que ultrapassam os 2.500 contos mensais, avisando que o município, a enfrentar “graves problemas financeiros”, tem “sérias dificuldades” para continuar a suportar a divida.

Em Julho, Aníbal Fonseca deslocou-se à Cidade da Praia para encontros como Governo sobre o défice tarifário e futuro do sistema de produção de água dessalinizada no Porto Novo e, aproveitando presença do ministro das finanças, em Santo Antão, insistiu na necessidade de se encontrar uma solução à esta problemática, que tem sido um dos principais motivos de endividamento municipal.

O défice tarifário que, segundo o autarca, “vem de longa é data”, e as perdas técnicas elevadas, são suportados pelo próprio município que está, por isso, a endividar-se e a criar problemas de sustentabilidade à Águas do Porto Novo (APN), empresa que, desde 2008, opera na produção de água dessalinizada, neste neste concelho.

O ministro das Finanças, que esteve de visita, nos últimos três dias, a este concelho, garante que o Governo está “atento” à situação e assumiu “o compromisso com Porto Novo” para, “juntos”, encontrar uma solução que viabilize o sistema de produção de água dessalinizada.

A APN, que representou um investimento à volta de 240 mil contos, resultou, em 2007, de uma parceria público-privada, envolvendo a empresa Água de Ponta Preta, o Governo e o município do Porto Novo.

Todos os meses, a autarquia, único cliente da APN, arca com o défice tarifário, que tem aumentado, de forma rápida, as dividas da edilidade porto-novense com a APN, a ultrapassar, de longe, os 100 mil contos.

Porto Novo, segundo o presidente da câmara, é único município em Cabo Verde obrigado a suportar tanto défice tarifário como as perdas técnicas, que ultrapassam os 45 por cento (%).

Igualmente, há preocupação com relação às tarifas de água dessalinizada no Porto Novo, consideradas “muito elevadas” pelos responsáveis municipais, utentes e pela entidade reguladora que, desde Janeiro, tem vindo prometer baixar os preços.

Os consumidores dizem-se “expectantes” quanto à uma eventual redução das tarifas de água no Porto Novo, tidas como “as mais elevadas” praticadas no arquipélago.

Apesar dos “constrangimentos” a Câmara Municipal do Porto Novo diz entender que existem condições para a revisão das tarifas de água neste município.

Entretanto, as perdas técnicas na rede de distribuição de água no Porto Novo têm os seus dias contados, graças ao projecto de água e saneamento de Santo Antão, que será lançado até Dezembro.

No âmbito deste projecto, estimado em 900 mil contos, 25 quilómetros da rede de adução e distribuição de água neste município vão ser reabilitados, resolvendo assim o problema dos rombos.

JM/CP

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