Porta-voz da Casa Branca escusa-se a garantir que Trump nunca usou insulto racista

Washington, 14 Ago (Inforpress) – A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou hoje que não pode garantir que Donald Trump nunca usou insultos racistas.
Em resposta a perguntas dos jornalistas sobre se podia garantir com certeza que Donald Trump nunca usou a designada ‘N-word’, Sanders respondeu: “Eu não estive em todas as reuniões”.

Omarosa Manigault Newman, ex-assessora de Trump, disse que existe uma gravação de Trump a usar a ‘N-word’, expressão que se refere à palavra ‘nigger’ (‘preto’), usada de forma insultuosa e depreciativa para referir pessoas de pele negra.
Trump garantiu hoje, em mensagem divulgada na rede social Twitter, que “nunca teve tal palavra no seu vocabulário”.

Sanders afirmou que “não pode garantir” que Trump nunca usou tal palavra, mas classificou as afirmações de Manigault Newman como “devassas e ridículas”.

Para a Casas Branca, Manigault Newman mostrou “uma completa falta de integridade” com o seu criticismo de Donald Trump no seu novo livro, que é lançado hoje.

Sanders afirmou hoje que as mensagens de Trump na Twitter, em que se refere a Manigault Newman como “louca” e um “cão”, reflecte a sua “frustração” com os seus comentários.

Em resposta, Manigault Newman perguntou: “Se ele me chama isso publicamente, o que ele não dirá em privado?”, acrescentando que Trump “não tem qualquer respeito” pelas mulheres ou pelos afro-americanos.

Manigault Newman, que foi despedida da Casa Branca em Dezembro, tem estado a divulgar excertos de gravações áudio de conversas privadas na Casa Branca, como parte da promoção do seu livro.

Uma das acusações que faz é a de que Trump sabia que a Wikileaks tinha mensagens de correio electrónico (e-mails) da sua então rival na corrida presidencial de 2016, Hillary Clinton, antes de estas terem sido divulgadas.

Quando questionada na cadeia televisiva MSNBC se Trump sabia o que ia ser divulgado antes de o conteúdo dos e-mails ser publicado, Manigault Newman respondeu: “Absolutamente”.

O material divulgado pela Wikileaks incluíam e-mails do Comité Nacional Democrata e abalou a eleição presidencial.

Manigault Newman acrescentou: “Houve muita corrupção na campanha e há muita na Casa Branca e vou denunciar tudo isso”.

Por outro lado, a ex-assessora da Trump também revelou que tem estado em contacto com a equipa do procurador especial Robert Mueller, que investiga a alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, mas não detalhou.

No seu livro, intitulado Unhinged” (“Desvairado”), cuja saída está prevista para hoje, Manigault Newman, entre outros pontos, acusa Trump de se comportar “como um cão sem trela” nos eventos que decorrem na instância de recreio que possui em Mar-a-Lago, na Florida, quando a esposa, Melania Trump, está ausente, e de ser “racista, intolerante e misógino”.

Entre as acusações está também a denúncia de utilização por Trump de linguagem racista durante o programa televisivo ‘O Aprendiz’, que Trump animava.

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