Plataforma das Comunidades Africanas denuncia tratamento hostil aos imigrantes

Cidade da Praia, 30 Jun (Inforpress) –  O presidente da Plataforma das Comunidades Africanas em Cabo Verde, José Ramos Viana, denunciou hoje aquilo que classificou de “tratamento hostil” aos imigrantes por parte da polícia, na sequência de uma operação realizada no mercado do sucupira.

Conforme relatou à Inforpress, tudo aconteceu na passada quarta-feira, 27, quando numa operação conjunta da Polícia Nacional, Guarda Municipal e da Inspecção-geral da Actividades Económica (IGAE), 45 imigrantes de diversas nacionalidades foram detidos e conduzidos à esquadra policial “sem uma justificação plausível”.

Conta que ao tomar conhecimento da situação deslocou-se à esquadra policial para tomar o pulso da situação. Numa primeira abordagem disse que não conseguiu falar com o comandante da esquadra da Brigada Anti-crime (BAC), que, entretanto, permitiu que fosse falar com os detidos, que se encontravam num quintal.

Na conversa com os compatriotas ficou a saber que 29 dos 45 dos detidos estavam com documentação em dia e que nem sequer sabiam porque foram detidos.

“As pessoas contaram que a polícia chegou e começou a apontar para as pessoas e a dizer que estavam presas. Houve pessoas que mostraram que estavam com documentos e legal a trabalhar e mesmo assim foram conduzidos à esquadra como se fossem animais,dez numa única viatura e todos amontoados”, disse.

Junto da polícia ficou a saber que foi uma operação normal para averiguação das mercadorias e que os imigrantes tinham sido conduzidos à esquadra para averiguação.

José Ramos Viana revelou que a plataforma está completamente de acordo com a operação. Contudo demonstrou o seu desagrado com a forma como os imigrantes foram abordados e tratados.

“O que não concordamos foi com o facto de chegar e dizer às pessoas: tu estás preso, tu já não podes sair daqui sem sequer verificar a documentação.  As pessoas ficaram detidas por várias horas e só começaram a ser libertadas depois das 15:00 depois de uma intervenção da plataforma”, contou.

“Foi um tratamento um pouco hostil e essa hostilidade fez com quem as pessoas se revoltassem por dentro e depois por fora. Não aguentaram mais e explodiram e manifestaram o seu descontente com o procedimento”, disse.

Segundo disse, dos 45 imigrantes, 29 foram libertados e 16 que estavam sem documentação ficaram detidos para serem entregues ao Serviço de Migração e Fronteiras que depois os libertaram, uns com prazo para abandonar o país e outros com multas para pagar.

José Ramos Viana disse que se a polícia tivesse procedido da forma correcta não seria necessário levar os 29 imigrantes para esquadra e sujeitar-lhes à situação a que foram expostos.

“O que nós estamos a contestar é o facto de se terem procedido daquela forma e terem tratado as pessoas com alguma indiferença. Isso que é mau porque todos nós viemos de um lugar e temos um destino. Nessa caminhada nós passamos por várias coisas”, lamentou.

O presidente da Plataforma das Comunidades Africanas defende uma certa coerência na implementação da política de imigração, e recordou que os imigrantes africanos se encontram em Cabo Verde ao abrigo de um acordo de livre circulação da região da qual Cabo Verde faz parte.

“Então temos que respeitar isso e tratar as pessoas com respeito. Nesse caso não houve esse tratamento digno, de respeito, e o que devia ser uma coisa calma, bem-feita, pedagógica, acabou naquilo que foi”, disse.

Para além de detidos os imigrantes tiveram as suas mercadorias apreendidas, mas José Ramos Viana acredita que estão em vias de recuperar os seus pertences.

A Inforpress tentou contactar a polícia para uma reação, mas os contactos revelaram-se infrutíferos, pelo que conta apresentar a versão da polícia num próximo momento.

MJB/ZS

Inforpress/fim