Personalidades guineenses sancionadas promovem marcha contra CEDEAO

Bissau, 18 Fev (Inforpress) – As 19 personalidades guineenses sancionadas pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) promovem hoje uma marcha em Bissau para repudiar a medida, que consideram injusta.

Entre os sancionados, acusados de estarem a impedir a normalização da vida política guineense, conta-se o ministro do Interior do governo demissionário, Botche Candé, que prometeu estar “na primeira linha” da manifestação.

A marcha que irá culminar diante da sede da CEDEAO em Bissau, está a ser anunciada como “uma iniciativa de apoio à soberania e integridade dos guineenses”, conforme os comunicados repetidos, na última semana, nos órgãos de comunicação social.

A CEDEAO divulgou no passado dia 07 uma lista de 19 personalidades guineenses, entre as quais actuais governantes, deputados, magistrados e o filho do Presidente do país, como sendo pessoas que estariam a “obstaculizar a aplicação do Acordo de Conacri” e ainda a dificultar o normal funcionamento das instituições democráticas.

O Acordo de Conacri é um instrumento patrocinado pela CEDEAO como fórmula para acabar com o impasse político na Guiné-Bissau, que persiste há já três anos.

No essencial, o acordo prevê que seja escolhida uma figura de consenso para primeiro-ministro de um governo integrado por todas as partes desavindas.

O Procurador-geral da República, Bacari Biai, um dos sancionados, divulgou um comunicado no qual insta os organizadores da manifestação sobre o “cumprimento escrupuloso” dos limites temporais e geográficos da marcha, conforme o estipulado na lei do país.

O dispositivo legal em causa só autoriza a realização de manifestações de cidadãos à partir das 13:00, aos domingos, e guardando uma distância de 100 metros de edifícios públicos.

A manifestação está a ser anunciada pela organização para ter início às 10:00 da manhã.

A sede da CEDEAO em Bissau situa-se a escassos metros do palácio do governo guineense.

O comunicado do Procurador avisa, porém, que o não cumprimento dos dispositivos previstos na lei significará crime de desobediência.

Inforpress/Lusa