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Património Mundial: Candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal até final do mandato – anuncia Governo

Tarrafal, 11 Set (Inforpress) – O ministro da Cultura, Abraão Vicente estimou hoje apresentar até o final do mandato a candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal (na ilha de Santiago) a Património Mundial da Humanidade.

Abraão Vicente falava à imprensa após realizar esta terça-feira, uma visita ao ex-Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago, no âmbito da implementação da primeira fase do projecto Museus de Cabo Verde, fazendo-se acompanhar do edil José Soares e do presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Jair Fernandes.

Conforme explicou, esta visita é apenas parte de um processo de preparação da reabilitação da memória do também Museu da Resistência, que passa pelo processo de reabilitação do espaço físico, da memória e da criação de referências para quem o visita.

Segundo o ministro, do mesmo processo consta ainda um “projecto maior” que tem como meta perceber e compreender o papel do ex-Campo de Concentração na formação daquilo que é a idiossincrasia do povo de Santiago e de Cabo Verde, especificamente do seu papel no município do Tarrafal.

“Um processo que poderá nos levar a apresentar até o final do mandato uma candidatura ao Património da Humanidade. Uma candidatura que tem obrigatoriamente que passar por um processo também de socialização e partilha de evidências, de provas e de memória com os outros povos que têm a sua história ligada ao Campo de Concentração do Tarrafal”, disse Abraão Vicente.

Por outro lado, o governante admitiu que este processo é o “mais delicado” que tem em mãos, não só pelo investimento na recuperação e reabilitação do edifício físico, mas na construção do plano conceptual daquilo que poderá representar o ex-Campo de Concentração para o futuro, o seu papel para o desenvolvimento turístico do município de Tarrafal.

“É preciso conceptualizar bem, para não sermos superficiais no momento de apresentarmos uma candidatura a Património da Humanidade. Eu acredito que tem todas as condições, mas é preciso colocar em cima da mesa todas as evidências, tirar as conotações políticas que podem haver, mas sermos rigorosos no momento de contar a história”, defendeu, acrescentando que este projecto a longo e médio prazo não deve fazer parte apenas da agenda deste Governo, mas do Estado de Cabo Verde.

“O que tem que ser feito imediatamente é um plano de gestão do edifício, a sua reabilitação, mais a sua preservação para o futuro. Um plano museológico e museográfico que possa traduzir essa preocupação de Estado para com esse edifício e integrar o campo de concentração no roteiro daquilo que são as celebrações para os próximos anos”, enfatizou.

Na ocasião, o ministro da Cultura assegurou que os trabalhos que estão sendo feitos não vão prejudicar a futura candidatura, sustentando que qualquer desvio daquilo que é padrão, que o próprio Ministério e o IPC têm os instrumentos para ver a devida responsabilização e a correcção dos factos.

Por sua vez, o presidente do IPC, Jair Fernandes, informou que à margem do processo museológico e museográfico que estão a reintroduzir no ex-Campo de Concentração desde quiosque digital que já estão ali, passando pelo aplicativo para móvel para quem visita e quer visitar de forma autonomizado e ainda áudio guia, que “brevemente” estará ali na mesma lógica de autonomizar quem visita aquele espaço.

Conforme explicou estão a fazer um projecto de reabilitação de todo o espaço, ou seja, que o mesmo não contempla apenas o monumento campo de concentração, mas também todo o exterior onde tem as casas onde as pessoas residem ao seu redor.

Lembrou ainda, que este processo já tem o financiamento no quadro do Programa de Reabilitação, Requalificação e Acessibilidades (PRRA) estimado em 53 mil contos, informando também que no final deste mês vão apresentar ao Governo o projecto da reabilitação que, segundo ele, tem que respeitar a estratégia tripartida.

Ou seja, primeiro é criar a nível museológico e museográfico melhores condições e dar melhor interpretação do espaço, e depois a reabilitação que considerou também “necessário”, tendo em conta que notaram que há muito trabalho de restauro que tem que ser feito.

E por fim, numa perspectiva de curto prazo que é a apresentação do projecto da candidatura do ex-Campo de Concentração a Património Mundial.

Em relação às pessoas que vivem ao redor do espaço, segundo as autoridades vai-se trabalhar num plano de realojamento e de integração.

FM/FP

Inforpress/Fim