Património Mundial: Abraão Vicente defende uma maior articulação entre os poderes local e central para melhoria dos sítios

 

Ribeira Grande de Santiago, 29 Mai (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, defendeu hoje que Cabo Verde precisa de uma maior articulação entre os poderes central e local para melhorar os sítios do Património Africano na lista de Património Mundial.

O governante defendeu esta ideia hoje ao discursar na abertura do ateliê de reforço de capacidades para os países lusófonos da África Central e Ocidental, promovido pela UNESCO em parceria com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, que teve lugar num dos hotéis da Ribeira Grande de Santiago.

“É preciso fazer mais e investir mais. É preciso cada vez uma maior articulação entre os poderes locais e centrais, bem como um maior envolvimento das populações com vista a contribuir para melhorar a representação dos sítios do Património Africano na lista de Património Mundial”, salienta, ressaltando que isto será concretizado através da preparação de propostas dos dossiês de inscrições completos que serão aprovados posteriormente.

Ex-Campo de Concentração, a Morna e futuramente a Salina de Pedra de Lume (ilha do Sal) e mais um conjunto dos folclores constituem patrimónios que, de acordo com o ministro, o Governo está a trabalhar para inscrever na lista de Património Mundial.

No que se refere à Cidade Velha, Abraão Vicente adiantou que vão continuar a “conservar e melhorar” aquilo que já detém o título de Património Mundial, e para isso, segundo o governante, o Instituto do Património Cultural (IPC) já está a trabalhar no segundo plano de gestão do sítio histórico.

“A meta de Cabo Verde é, tal como são as recomendações internacionais, promover uma gestão eficaz dos riscos, um engajamento acrescido das comunidades e dos benefícios económicos directos para as comunidades locais”, acrescentou.

Fez saber ainda que o objectivo do arquipélago no que tange à gestão eficiente do potencial do património é recolher, sistematizar e disponibilizar as fontes documentais existentes com vista a promover o estudo continuado dos patrimónios nacionais a consolidação do seu valor imaterial.

Abraão Vicente avançou ainda que estão a trabalhar para alavancar o sector do turismo em Ribeira Grande de Santiago, juntamente com a câmara municipal local, uma vez que, considerou, “a cidade era gerida anteriormente de costas voltadas para a autarquia”.

“Cidade Velha é o berço do novo mundo e a porta de regresso à África. Não temos dúvida disso e é debaixo desse conceito que iremos elevar a construção de bases sólidas para criação de condições para que, anexada ao título de património da humanidade, tenhamos uma forte dinâmica turística, económica e de desenvolvimento social”, afirmou.

Por seu turno o presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina, apontou que a Cidade Velha possui patrimónios que precisam ser representados, uma vez que, a nível mundial, África está “residual” em matéria de património classificado.

Por isso, o autarca aconselha a desenvolver acções que visam identificar os bens no sentido de valoriza-los, protege-los e fazer a sua inscrição a Património Mundial.

Já o presidente do IPC, Charles Akibodé, felicitou a Guiné Equatorial pela presença neste encontro realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), para reforçar a presença africana no Património Mundial.

O evento contou ainda com as presenças dos representantes do Centro do Património Mundial e das Nações Unidas em Cabo Verde, além de alguns embaixadores dos países europeus.

AF/ZS

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