Parlamento: Oposição diz que Governo não tem políticas para a juventude

Cidade da Praia, 29 Jun (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) acusaram hoje o Governo de não assumir a juventude, justificando que “não há políticas para essa camada” da sociedade.

A questão foi levantada, no Parlamento, pelo deputado do principal partido da oposição, PAICV, Osailson Bandeira, que afirmou que o Governo entregou a política da juventude nas mãos das câmaras municipais e não tem uma política “integrada e harmoniosa” para a juventude.

Segundo este parlamentar, por não ter um ministério que assume as políticas da juventude, o executivo não assumiu as suas responsabilidades para com esta classe.

“Enquanto o Presidente da República tem encetado a campanha “Menos álcool, mais vida”, as câmaras municipais têm feito a campanha “mais álcool, mais sabura” para desviar os jovens dos reais problemas que lhes afectam”, observou.

Odailson Bandeira reconhece que todos os cabo-verdianos gostam de festa, mas, alerta que “tudo o que é de mais faz mal”. Por isso, defende que é preciso “dar a juventude outras alternativas que sejam realmente motivo de festa na sua vida no dia-a-dia.”

A eleita do Movimento para a Democracia (MpD, poder) Celeste Fonseca fez uma outra leitura das políticas do Governo, observando que o discurso de Odailson Bandeira coloca “a autoestima dos jovens e rastejar no chão.

Conforme Celeste Fonseca, o Governo, através da pessoa do primeiro-ministro, assume a juventude, mas delegou essas políticas às câmaras municipais. “Não há um sector específico para a juventude porque este Governo entende que as políticas para a juventude são transversais”, salientou.

A deputada considerou “uma inverdade” falar que as câmaras municipais fazem festivais para estimular o consumo do álcool, dando como exemplo a edilidade de São Vicente que, durante as festas “tem fiscalizado os balaios das vendedeiras para impedir a venda de álcool.

Já a deputada da UCID (oposição), Dora Pires, eleita pelo círculo de São Vicente, dizendo-se portadora de um recado dos jovens desta ilha ao Governo, afirmou que “os jovens realmente não querem mais festas”, mas pedem trabalho para viver condignamente.

“Nós temos muitas festas em Cabo Verde e esse dinheiro gasto nelas deveria ser revertido para criar fundos para ajudar os jovens a estruturar a sua vida e ter o seu ganha-pão”, elucidou.

Chamado ao púlpito para responder, em nome do Governo, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, elencou algumas das acções encetadas pelo executivo direccionadas para a juventude.

“Este é o Governo que devolveu os diplomas a centenas de jovens que estavam no desemprego porque o PAICV insistiu em cobrar esses diplomas a jovens recém-formados”, referiu Abraão Vicente, ajuntando que o executivo negociou com a banca todas as dívidas referentes a bonificações de juro para crédito habitação, acumuladas durante os 15 anos pelo anterior Governo.

Respondendo às críticas sobre a assumpção das políticas de juventude pelas câmaras municipais, o ministro justificou este facto com uma “governação de proximidade” e que “não se pode diabolizar as câmaras municipais”.

Quanto às festas, Abraão Vicente defendeu que é preciso regulamentar o seu financiamento, mas advertiu que isso não significa “quartar ou limitar” as acções municipais.

“As câmaras são livres para planificar porque respondem perante os seus eleitores”, completou, realçando que o Governo aprovou, no mês passado, uma resolução que estabelece “os mecanismos e as regras de financiamento transparente para as festas”.

CD/CP

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