PAICV volta a bater na tecla sobre o desmentido de ministro ao Presidente da República

Cidade da Praia, 31 Ago (Inforpress) – O PAICV voltou hoje a baila com o caso das declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros que desmentem o Presidente da República em relação ao acordo SOFA, desta feita através do membro da Comissão Política Nacional, Fernandinho Teixeira.

Fernandinho Teixeira, que falava em conferência de imprensa para fazer o balanço da Reunião da Comissão Política Nacional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – Oposição), que esteve reunida na quarta-feira, 30, disse que “com quarenta e tal anos de independência” de Cabo Verde, o país nunca chegou a esse ponto em que o Presidente da República, o mais alto magistrado da Nação, é “desmentido na praça pública”.

Recorde-se que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, afirmou, numa entrevista à Rádio de Cabo Verde (RCV), que o Presidente da República teve o conhecimento do acordo militar entre Cabo Verde e os Estados Unidos (Status of Forces Agreement, SOFA, na sigla em inglês), antes de ser assinado.

Isto, depois de numa entrevista ao jornal Expresso das Ilhas desta quarta-feira, onde Jorge Carlos Fonseca garantiu que teve o conhecimento do acordo só depois de ter sido assinado entre as partes.

“O presidente é o símbolo da Nação, em nenhuma circunstância um Executivo cabo-verdiano terá essa atitude de desmerecer e criar situações desta natureza. É, no mínimo, caricato neste país termos um membro do Governo a desmentir o Presidente da República quando se sabe que o primeiro-ministro tem encontros permanentes com o PR, onde poderão discutir todas as questões da política interna e externa do país”, disse Fernandinho Teixeira.

Questionado se a oposição pode desmentir o Presidente da República, Fernandinho Teixeira responde que “em nenhuma circunstância”. “Eu penso que não. Enquanto dirigente do partido em nenhuma circunstância poderei desmentir o Presidente da República que é o símbolo da Nação”, ajuntou.

Em relação aos comentários dos que dizem que o maior partido da oposição quer “tirar proveito político desta situação”, Fernandinho Teixeira frisou que o partido que representa não tem “nenhum interesse” em se aproveitar de um “desaire institucional” entre duas instituições “tão importantes” como a Presidência da República e o Executivo cabo-verdiano.

“O PAICV quer que as coisas funcionem bem no país”, afirmou.

Refira-se que o ministro do Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, se posicionou na quinta-feira, 30, sobre este assunto e disse ser uma pessoa “serena, responsável com elevado sentido de Estado”.

“O que eu disse é a verdade e disse com total tranquilidade e serenidade em confiança e o primeiro-ministro sabe que o ministro dos Negócios Estrangeiros é uma pessoa responsável”, afirmou o governante em declarações aos jornalistas na cidade da Praia.

Este assunto foi na quarta-feira analisada na reunião da Comissão Política do PAICV que passou também em revista a situação da população rural, tendo em conta o mau ano agrícola de 2017, a questão dos transportes aéreos e marítimos e as recém-anunciadas taxas de segurança aeroportuária e marítima que, segundo disse Fernandinho Teixeira, foram “mal concebidas”.

GSF/ZS

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