PAICV reage e critica Governo sobre o aumento da taxa do desemprego no país em 2016

Cidade da Praia, 31 Mar (Inforpress) – O PAICV criticou hoje a política do Governo para o sector do emprego em Cabo Verde, ao reagir sobre os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que confirmam o aumento da taxa do desemprego no país em 2016.

“Esse aumento do desemprego contraria todo o esforço que vinha sendo feito no sentido da redução progressiva e sustentada do desemprego nos últimos 4 anos. Ou seja, saímos de uma taxa de 16.8% em 2012, para 16,4% em 2013, 15,8 em 2014 e 12,4% em 2015, disse o secretário geral do PAICV, Julião Varela.

Os dados, segundo Julião Varela, demonstram “um grande desalinhamento entre os compromissos eleitorais assumidos pelo Governo e as soluções apresentadas para fazer face a real situação da população que espera, desesperadamente, uma ocupação para garantir acesso a rendimentos para a satisfação das necessidades da sua família”.

O secretário geral do PAICV, disse que dos dados do inquérito de 2016, constatou-se que o número de desempregados em 2016 aumentou em 9.356 indivíduos, comparativamente ao ano de 2015.

“Os dados apresentados confirmam, de forma categórica, a degradação dos indicadores relacionados com o nível de ocupação das pessoas em todas as faixas etárias e em todos os estratos sociais”, afirmou Julião Varela em conferência de imprensa na Cidade da Praia.

Analisando os dados, Julião Varela disse ainda que a taxa de desemprego, contrariando a tendência anterior de descida sustentável ao longo dos últimos anos, passa de 12,4% para 15%, um aumento de mais de 3% num único ano.

Segundo Julião Varela “os dados apresentados são, a todos os títulos, preocupantes porque a situação de desemprego atinge a todos, sem exceção, particularmente os jovens que viram a sua situação deteriorar-se de forma exponencial”.

De acordo com os dados do INE, o desemprego nos homens passou de 13,5% para 12,9%, enquanto nas mulheres passou de 11,2% para 17,4%.

As pessoas activas ocupadas em 2016 eram 209.725 (194.485 em 2015) e dessas, 36.955 são desempregadas (15%) contra os 27.599 em 2015 (12,4%) e 140.467 inactivas, sendo que os jovens na faixa etária dos 15 aos 24 anos representam uma taxa de 41% da população desempregada e dos entre 15 e 34 anos são 24,2% da população desempregada.

No meio urbano, a taxa de desemprego é maior, tendo em conta que aumentou 2,7 pontos percentuais, isto é, de 14,2% em 2015 para 16,9% em 2016, e no meio rural passou de 7,9% para 10,3%.

A capital do país é a mais afectada pelo desemprego, tendo registado um aumento de 6,4 pontos percentuais de 2015 para 2016, ou seja, passando de 15,7% para 22,1%, confirma o INE.

A seguir à Praia aparecem Santa Catarina de Santiago com 19,6%, São Vicente com 16,2%, Ribeira Grande de Santiago com 13,9%, Ribeira Brava com 12,6% e Porto Novo com 10,3% da taxa do desemprego, e no sentido oposto estão Ribeira Grande e São Lourenço dos Órgãos, ambos com 4,5%, seguidos da Brava com 4,6%, Calheta de São Miguel com 5,3% e São Domingos com 5,7%.

Ao apresentar os resultados das estatísticas, o técnico do INE, Orlando Monteiro, explicou que o concelho onde a situação do desemprego se coloca com “mais incidência é a Praia”, mas que nos concelhos rurais onde a taxa de desemprego é “relativamente baixa”, como a Brava e São Lourenço dos Órgãos, existe uma situação “um bocadinho delicada”.

“Esses indicadores dependem, muitas vezes, das pessoas que vão à procura do emprego, porque se as pessoas não fazerem isso, automaticamente caem na taxa de inactividade e teremos uma taxa de desemprego baixa”, esclareceu, indicando que cálculos são feitos de acordo com as recomendações internacionais.

JL/FP

Inforpress/Fim