Órgãos públicos de comunicação social vão começar a pagar pelo uso do tempo de antena da música, Primeiro-ministro

Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) – O primeiro-ministro assegurou este domingo que os órgãos públicos de comunicação social vão começar a pagar pelo uso do tempo de antena da música aos autores e compositores, junto da Sociedade Cabo-verdiana de Música.

Ulisses Correia e Silva fez esta revelação em pleno palco da gala Noite de Autores da Sociedade Cabo-verdiana de Musica (SCM), realizada este domingo, na Praça Luís de Camões, no Plateau, onde se procedeu publicamente às primeiras distribuições dos direitos de autor na rubrica de execução de música ao vivo, no quadro das actividades comemorativas do Dia Mundial do Direito do Autor.

O chefe do Governo mostrou o seu “muito apreço” aos responsáveis da SCM pelo facto de terem tornado realidade esta instituição e considerou tratar-se de um momento marcante e que faz diferença entre aquilo que o país tinha até agora e que vai ter para o futuro.

O primeiro-ministro destacou os esforços que estão a ser desenvolvidos, no sentido de compensar, “devidamente”, os criadores e os produtores de musicas que “fazem deste Cabo Verde uma grande Nação Crioula”.

Correia e Silva prometeu dar o devido apoio à Sociedade Cabo-verdiana de Música, de forma que a concretização do que o país precisa para a indústria da Cultura seja uma realidade, com reflexos directos nos “autores e compositores desta grande riqueza do País”, mediante a compensação pelas suas criatividades.

A Noite de Autores juntou num único palco autores, compositores, produtores, num universo de artistas de renome que brindaram ao público que encheu o espaço, com um espectáculo, referenciado como sendo de alto nível, onde foi notória a empatia entre os artistas e a plateia.

Isto porque cerca de 20 artistas, apoiado por uma banda orquestrada pelo mestre Manuel de Candinho, fizeram jus à Gala, com a própria presidente da SCM, Solange Cesarovana a abrir o espectáculo, com a interpretação da célebre morna “Força de Cretcheu”, de Eugénio Tavares.

Seguiram-se DLobo, com “Talaia Baxo”, o instrumentista Bau, que com a sua guitarra interpretou “Inspiração”, sua obra prima, Vlú, também na viola com a sua melodia “Pedaço de Céu”, Benvas d’Strong com o funaná ritmado “Carta Sta Mal Baradjado”, Tété Alhinho, com “Beijo Furtado”, Mirri Lobo com “Doce Guerra”, de Antero Simas, os rappers do Rapaz 100 Juiz e Fattú Diakite”.

Nhelas Spencer, conhecido como o grande inovador da música cabo-verdiana, subiu ao palco para encantar o público com uma das suas muitas criações “Sodade tem pena de mim”, Agnelo Dutralenga com Chaminé, de Ano Nobo, Manuel de Candinho, numa interpretação considerada soberba da valsa, de Tazinho.

Lucibela interpretou a coladeira “Profilaxia”, de Nhelas Spencer; Albertino Évora cantou “Nha Piedade”, de Teófilo Chantre, a jovem irreverente Élida Almeida com a sua composição “Berçu d’Oro”, Homero Fonseca com “Mensagem de Gratidão”, de Faria Júnior.

Diva Barros cantou “Pára Violão”, de Constantino Cardoso, Kim de Santiago, vice-presidente da SCM e um dos compositores da eleição da música tradicional cabo-verdiana, interpretou o seu funaná “Kenha ki bem Ki ta bai”, eternizado pelos Finaçon, para Dani Mariano brindar ao público com a sua lavra “Mi é Dodu na Bó Cabo Verde”.

O espectáculo foi encerrado com a actuação conjunta de todos os artistas na interpretação “Dez Grãosinhos de Terra”, de Jota Monte, não sem antes todos os intervenientes serem contemplados com os respectivos cheques de compensação desta primeira distribuição dos direitos de autor na rubrica de execução de música ao vivo.

Em jeito de balanço desta iniciativa inédita, a presidente da SCM, Solange Cesarovna, classificou o concerto como histórico em Cabo Verde, no qual os autores e artistas sobem o palco único na celebração do Dia Mundial dos Direitos do Autor, unidos à causa, com o entendimento que se quebraram o silêncio e a apatia.

SR/JMV

Inforpress/Fim