ONU defende necessidade de garantir a estabilidade na Guiné-Bissau

Nações Unidas, 30 Ago (Inforpress) – O Conselho de Segurança (CS) da ONU sublinhou hoje a necessidade de combater o crime organizado e o tráfico de drogas na Guiné-Bissau e garantir a legitimidade e credibilidade das eleições legislativas, marcadas para 18 de Novembro.

Nas suas intervenções, os países membros do CS reafirmaram a importância da aplicação integral do Acordo de Conacri, que prevê a nomeação de um primeiro-ministro de consenso – o Presidente guineense nomeou Aristides Gomes – e a formação de um governo inclusivo.

A contribuição da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a paz e a estabilidade foi igualmente referida nas intervenções, bem como a importância de evitar que a Guiné-Bissau seja uma “área de impasse”, de “turbulência política”, como se verificou no passado.

A reunião do Conselho de Segurança terminou com a intervenção do primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, na qual reconheceu que a organização das eleições não é fácil: “As dificuldades que temos são numerosas, mas não são insuperáveis”.

“Há uma nova esperança” que se retira do “constante apoio e solidariedade efectiva da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental”, salientou também Aristides Gomes, que agradeceu especificamente ao Governo de Portugal o “importante apoio material” para a realização do escrutínio.

Aristides Gomes enalteceu ainda a “visão objectiva” do representante especial do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, José Viegas Filho, o qual na abertura dos trabalhos considerou que a realização das eleições parece mais assegurada agora do que há algumas semanas.

Segundo o primeiro-ministro guineense, 20 anos depois do conflito armado de Junho de 1998, assiste-se a uma “falha estrutural” e ao “colapso” de entendimentos na Guiné-Bissau.

O primeiro-ministro, que já ocupou o cargo entre 2005 e 2007, disse que o restabelecimento da confiança entre os partidos políticos é um “grande desafio” depois de tempos de crise que o país ainda está a ultrapassar.

“Queremos recuperar e reconquistar um lugar respeitável e digno na comunidade internacional”, assegurou o primeiro-ministro, apelando ao apoio internacional e desbloqueamento dos fundos prometidos para a organização e realização da votação, agendada para 18 de Novembro.

Inforpress/Lusa

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