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Novo programa do Banco Mundial para Cabo Verde aposta no reforço da resiliência

 

Cidade da Praia, 08 Mai (Inforpress) – O novo programa de apoio de 82 milhões de euros do Banco Mundial a Cabo Verde, a aplicar nos próximos três anos, irá centrar-se no reforço da resiliência, prevendo linhas de crédito para resposta imediata a catástrofes.

Em entrevista à agência Lusa por telefone, a partir do Senegal, Louise Cord, responsável do Banco Mundial para Cabo Verde, adiantou que, nos próximos três anos, a instituição terá 90 milhões de dólares (82 milhões de euros) para gastar em Cabo Verde.

Este valor representa um aumento de 110% em relação aos 43 milhões de dólares (39 milhões de euros) do programa anterior, que se centrou na promoção do crescimento económico, através do financiamento a projetos de infraestruturação, transportes e turismo.

O novo ciclo de financiamento será assegurado pela International Development Association (IDA), uma das estruturas de crédito do Banco Mundial, e coincide com uma nova estratégia da instituição para Cabo Verde.

“Com o novo programa vamos continuar a trabalhar no crescimento, mas vamos focar-nos também na resiliência com uma linha de crédito que o país pode usar em caso de uma nova erupção vulcânica ou se for atingido por uma grande tempestade”, disse Louise Cord.

“Vamos ainda centrar-nos na proteção social, para desenvolver uma rede de segurança para as populações. Uma grande componente do programa é reforçar a resiliência”, acrescentou.

O programa irá apoiar também a promoção do crescimento económico numa perspetiva de médio e longo prazo e de uma economia orientada para os serviços.

“Vamos ter um projeto para a educação e apoio para as pequenas e médias empresas em matéria de financiamento. A ideia é antecipar os riscos da economia, mas também ajudar o país a tirar benefícios da sua juventude e a promover uma mudança para o setor dos serviços”, explicou.

Uma terceira vertente do programa visa apoiar a reformas económicas, nomeadamente através do apoio e financiamento da reestruturação das empresas públicas, e cimentar o papel do setor privado.

De acordo com Louise Cord, os fundos estarão disponíveis a partir de julho, mas a estratégia que enquadra o novo programa de financiamento só começará a ser implementada no próximo ano.

“Estamos a adiantar-nos à estratégia. Não vamos assinar um programa global, vamos assinar e emprestar dinheiro para projetos específicos”, disse.

O primeiro desses projetos deverá ser a reestruturação da companhia aérea TACV, em cujo plano o Governo está a trabalhar com o apoio técnico do Banco Mundial.

Sobre o aumento dos fundos disponibilizados, Louise Cord, adiantou que o programa global de financiamento da IDA aumentou e Cabo Verde foi um dos países que beneficiou desse crescimento.

“Este programa tem como prioridade ajudar os pequenos estados com baixo rendimento e boa governação. Cabo Verde como um país com boa governação beneficiou de um grande aumento”, disse Louise Cord.

A IDA é uma instituição do Banco Mundial de ajuda aos países pobres através de empréstimos e de programas de promoção do crescimento económico, redução das igualdades e melhoria das condições de vida das populações.

Os empréstimos são concessionais, com taxas de juro de zero ou muito baixas, prazos de pagamento entre 25 e 40 anos e períodos de carência entre 5 a 10 anos.

Lusa/Fim

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