Novo Banco: Governo não respeitou a decisão da Assembleia Geral no sentido da recapitalização – PAICV

Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) – O vice-presidente do PAICV, Nuias Silva, disse hoje que o actual Governo, enquanto accionista maioritário do Novo Banco, “não respeitou” a decisão da Assembleia Geral no sentido da recapitalização daquela instituição financeira, abrindo, assim, caminho para sua “extinção”.

O dirigente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição) fez estas declarações em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para esta força política se posicionar sobre a medida de resolução que o Banco de Cabo Verde decretou em relação ao Novo Banco (NB).

Segundo Nuias Silva, o executivo de Ulisses Correia e Silva, ao não proceder ao aumento do capital deliberado por unanimidade, contribuiu para “agravar mais a situação económico-financeira” do NB.

“Não obstante todas as diligências e todos os alertas por parte do Banco de Cabo Verde, o actual Governo quis, de forma deliberada, intencional e consciente, abrir o caminho para o processo de extinção do Novo Banco”, precisou o vice-presidente do PAICV, acrescentando que, contrariamente àquilo que vem dizendo o Governo, “existiam alternativas outras que não a resolução decretada”.

Acusou, ainda, o executivo de “falta de vontade política” para não accionar as referidas alternativa.

Lembrou que após as eleições de Março de 2016, os accionistas haviam decidido que o aumento do capital social do NB, em 700 mil contos, deveria acontecer em dois momentos, ou seja, numa primeira fase, até finais de 2016, o valor devia ser de 500 mil contos e, numa segunda fase, em 2017, o montante era de 200 mil contos.

Para os “tambarinas”, o Governo pensou mais em conseguir “ganhos políticos de curto prazo” do que “salvaguardar os interesses nacionais, salvando o único banco público nacional”.

“No estrangeiro temos exemplos de Estado a recapitalizar bancos privados para evitar a resolução e, assim, proteger o sistema financeiro, os postos de trabalho e a economia do país”, apontou o vice do PAICV, para quem a resolução é tida como “medida de último recurso”.

O PAICV, prossegue Nuias Silva, após a deliberação do aumento de capital por unanimidade, o Governo, na qualidade de accionista maioritário, “remeteu-se a um profundo e estranho silêncio”, para só se despertar agora para anunciar o fim do banco.

“Não salvar o Novo Banco foi uma opção política deste Governo”, enfatizou o vice-presidente tambarina, deixando transparecer que o programa do executivo para a presente legislatura propõe a criação de um “novo Novo Banco, ou seja, um banco PME (pequenas e médias empresas) de primeira linha”.

“À data, o grupo parlamentar do PAICV questionou o Governo se esta proposta de Banco Novo acarretaria o encerramento do actual Novo Banco”, recordou Nuias Silva, acrescentando que os eleitos nas listas do seu partido não obtiveram resposta.

“O PAICV defende que todas as medidas necessárias deverão ser accionadas com o objectivo de apoiar as iniciativas que visam o integral esclarecimento, bem como a recuperação de todos os créditos dos utentes que confiaram as suas poupanças ao NB (Novo Banco), quer sejam eles particulares, empresas ou instituições de segurança social”, concluiu.

LC/ZS

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