Ninhos de tartaruga transladados de Quebra Canela para São Francisco para garantir sucesso na reprodução

Cidade da Praia, 28 Ago (Inforpress) – A Direcção Nacional do Ambiente procedeu, na manhã de hoje, na Cidade da Praia, ao levantamento de dois ninhos de tartaruga na praia de Quebra Canela para serem transladados para São Francisco, por forma a garantir o sucesso na reprodução.

Os ninhos contendo 95 e 76 ovos, respectivamente, foram assinalados por pessoas que avistaram as tartarugas a desovarem na madrugada de hoje, tendo a informação sido comunicada à Direcção Nacional do Ambiente (DNA) pela polícia Marítima.

Segundo a técnica da DNA Zuleica Rodrigues, as pessoas assinaram um terceiro local, mas depois constataram que a espécie não chegou a desovar, isto porque no momento em que se preparava para o efeito, precisamente ao pé de um amontoado de pedras, terá sido atingida por uma pedra grande que se deslizou, tendo a mesma assustada e regressado ao mar sem deixar os ovos.

A transladação dos ninhos, conforme explicou a técnica, tem a ver com a necessidade de preservar os ovos, já que para além Quebra Canela ser uma praia bastante movimentada, o mar é alto, e os ninhos estavam a correr o risco de ficarem submersos na água.

“Portanto, é uma praia cuja reprodução tem pouco sucesso, porque quando os ninhos estão constantemente dentro da água os embriões acabam por morrer, por causa da humidade e do alto teor do sal. Por isso, estamos a retirar os ovos para os colocar em São Francisco, que é uma praia menos frequentada e que é vigiada por uma associação que trabalha com a protecção de tartaruga”, indicou.

Zuleica Rodrigues salientou que a mudança de um ninho só deve ser feita única e exclusivamente em casos extremos e por pessoas capacitadas para tal. Além disso , explicou, a mudança é feita até 6 horas depois da desova, isto antes do início da divisão celular para evitar a deformação do embrião.

Sem precisar números, a técnica indicou este ano está a ser “extraordinário” em termos de desova de tartaruga nas ilhas de Cabo Verde, com registos de ninhos a duplicar face aos dados do ano passado.

“No ano passado, tivemos cerca de 30 mil ninhos a nível nacional, mas este ano já temos praias com triplo de ninhos que tivemos no ano passado, o que demonstra que este ano estamos com muitas tartarugas, mas igualmente com muitas apanhas, principalmente nas ilhas do Sal, da Boa Vista e do Maio, onde temos mais saídas de tartarugas”, lamentou.

Alertou, entretanto, que em Cabo Verde a apanha de tartaruga não acontece apenas nas praias de mar, mas também dentro dos mares pelos pescadores.

No entanto, congratulou-se com a implementação da lei que criminaliza a apanha de tartarugas em Cabo Verde, o que na sua perspectiva acabou por engajar mais as autoridades na questão da fiscalização, podendo o público também denunciar casos de infracção.

MJB/JMV

Inforpress/fim