Mosteiros: Colheita de café começa mais cedo mas levará mais tempo num ano de má produção

São Filipe, 12 Fev (Inforpress) – A colheita de café no Fogo inicia-se este ano mais cedo e a previsão é para demorar mais tempo devido a disparidade no processo de amadurecimento das cerejas, num ano em que a produção é considerada má.

A empresa Fogo Coffee Spirit, cujos técnicos efectuaram visitas de campo dos produtores com os quais têm parceria para aquisição de café, agendou para 16 de Fevereiro o início da colheita.

No entanto, segundo uma fonte da empresa, o processo vai ser demorado, porque além da diferença das localidades, existem situações em que no mesmo cafeeiro, por exemplo, uma parte está madura e outra verde o que implica mais de uma colheita.

Conforme constatou a Inforpress, outros produtores também estão a ultimar os preparativos para iniciar a colheita da produção de 2018, considerada pela maioria como um ano de má produção.

Para alguns produtores, a quantidade pode superar a do ano passado, mas a grande maioria aponta no sentido inverso, isto é, de que haverá uma diminuição da produção.

Segundo dados disponibilizados pela Fogo Coffee Spirit e por outros produtores, “há localidades que a natureza compensou”, isto é, zonas que no ano passado não tinham produção ou pouca quantidade e que este ano a previsão é para uma melhor produção.

Apesar deste cenário, a empresa fixou como meta adquirir a mesma quantidade de cerejas que no ano passado, cerca de 80 toneladas.

Desde 2015, ano de boa produção, nos últimos três anos tem-se registado fraca produtividade das plantas motivada, em parte, por ausência de chuvas em quantidade nas zonas altas do município dos Mosteiros.

O café é cultivado, principalmente, na área montanhosa e fértil dos Mosteiros, envolto por diversos microclimas e sem presença de produtos químicos, sobretudo do Morgadio de Monte Queimado, a maior propriedade unificada de produção de café na ilha do Fogo, premiada, por duas vezes, com a Medalha de Ouro da Exposição Colonial no Porto, em 1934, e Lisboa, em 1949, como “o melhor café do império”.

Igualmente, no início do século XX o café do Fogo foi apresentado na Exposição Universal de Paris, juntamente com a água da nascente de Aguadinha, tendo sido classificado como o melhor café do Império Português, superando em qualidade os cafés de Angola, São Tomé e Príncipe e Timor.

Em 1917 e 1918, o café do Fogo conquistou os primeiros prémios numa exposição agrícola realizada na Cidade da Praia, além de ter tido uma participação na grande exposição da Índia Portuguesa, em 1954.

JR/CP

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