“Mornas” de Solange Cesarovna foi apresentado num “espectáculo memorável” que reforça a candidatura da Morna ao Património da Humanidade

Cidade da Praia, 28 Jul. (Inforpress) – A cantora Solange Cesarovna apresentou esta sexta-feira o seu mais recente álbum “Mornas”, num espectáculo considerado memorável no auditório da Assembleia Nacional, com o presidente a referir que a Morna tem o seu lugar como Património da Humanidade.

Apresentada como a “rainha da morna”, Solange Cesarovna apresentou-se ao público da capital sob o suporte da banda orientada pelo guitarrista Kako Alves e fez jus ao título que ostenta, dada a forma como soube, com a sua sonoridade, cativar a plateia para com ela cantar em homenagem a figuras consagradas da morna como B.Leza, Eugénio Tavares, Manel d’Novas e Paulino Vieira.

A artista partilhou a sua empatia com o público, pois, por várias vezes teve de descer do palco para interagir com a plateia que tão bem soube corresponder aos refrãos das mornas mais marcantes, das quais “sodade” e Força de Cretcheu” se prontificam como verdadeiros cartões postais.

No dia que a casa parlamentar debateu o Estado da Nação, Jorge Santos congratulou-se com o espectáculo da noite, que o mesmo classifica de memorável, pelo que enalteceu a qualidade “desta grande artista, com uma melodia singular na voz e que consegue tirar sons da morma que só ela consegue”, mostrando-se convicto de que “vai levar a morna muito longe”.

“A morna é isto. Cada cantora, cada intérprete tem a sua criatividade e a sua sonoridade. Cesarovana é uma artista que neste momento está a fazer uma homenagem à morna, género que tem o seu lugar como o Património da Humanidade”, elucida Jorge Santos, para quem é uma questão agora a sua oficialização.

“Não só pela sua origem, que é a origem do povo cabo-verdiano, a saudade, o amor de quem parte mas gostaria de ficar, o drama das ilhas, das secas da maresia, do mar alto, mas também dos contrabandos. A morna é criolidade”, explica Santos, ressalvando que Cesarovna engrandece todo o historial e todo o acervo que levará a morna ao património da Humanidade.

O líder da Assembleia Nacional disse que o foco está na abertura do Parlamento à sociedade e enfatizou que enquanto Casa do povo, hemiciclo tem vindo a receber, ultimamente, grandes espectáculos musicais da morna, envolvendo vários artistas, homenagens e exposição da arte, escultura, olaria, de forma que o parlamento seja aberta às pessoas, à cultura, por forma a estar sempre de porta aberta e funcionar, também, como uma verdadeira casa da cultura cabo-verdiana.

O concerto de Solange Cesarovna, nesta sua primeira apresentação deste álbum na Cidade da Praia, terminou com uma concorrida sessão de autógrafo.

O álbum “Mornas” comemora os 150 anos do nascimento de Eugénio Tavares e celebra a candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade.

Com produção das edições Artiletra, “Mornas” foi gravado em Cervantes Studios, em Lisboa, e conta com participação de músicos como os guitarristas Manel di Candinho e Adérito, o pianista Nando Andrade, o baixista Manuel Paris, o percussionista Kau Paris, o baterista Robert Leonardo e Nilton Cunha, no cavaquinho

O álbum traz oito faixas da autoria de Eugénio Tavares, como “Ná, Ó Menino Ná”; “Morna de Despedida”; “Morna de Nha Santa Ana”; “Mal de Amor” ; “Morna de Bejiça”; “Contam Nha Cretcheu”; “Mar Eterno” e Força de Cretcheu”.

“Mornas” é o terceiro álbum da artista, seguida de “Solange Cesarovna”, gravado em 2008, e “Speranza”, editado em 2011, na Itália, na sequência da sua actuação no Vaticano, Roma.

SR/JMV

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