Biblioteca Nacional quer alargar e generalizar a literatura cabo-verdiana aos outros continentes – curadora

 

Cidade da Praia, 30 Out (Inforpress) – A curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes disse hoje que, com a Morabeza-Festa do Livro querem alargar e generalizar a literatura cabo-verdiana aos outros continentes, como forma de promoção junto de diferentes povos.

No primeiro dia do Morabeza-Festa do Livro, que decorre na Biblioteca Nacional, na Cidade da Praia, “A Internacionalização da literatura cabo-verdiana” nos fóruns, nas feiras e nos espaços internacionais é um dos temas que vai estar em debate durante todo o dia de hoje.

Em declarações à imprensa, Fátima Fernandes indicou que em Cabo Verde alguns autores como Germano Almeida, José Luís Tavares, Manuel Lopes, Baltazar Lopes, Cursino Fortes já são traduzidos e vendidos a nível internacional, mas que agora querem é alargar essa oportunidade.

“O que nós queremos é alargar e generalizar essa oportunidade de, estando num país que é fronteira com vários continentes, também possibilitar que a literatura seja um meio de nos fazer conhecer”, disse.

Mas para isso, assegurou que é preciso fazer um projecto alargado com as editoras, a Associação cabo-verdiana dos Escritores e as universidades, para que possam valorizar e contemplar essa vertente de trabalho que é a formação sobre a internacionalização.

É nesta óptica que no quadro da Morabeza vão privilegiar a formação, no sentido de se fazer com que as pessoas compreendam o que é internacionalizar a literatura cabo-verdiana, em que espaço e como é que se faz essa internacionalização contemplado a vertente literatura traduzida.

“Já temos formações académicas que privilegiam a formação em línguas, mas falta-nos ainda integrar essa componente a partir da valorização da tradução do texto literário, numa componente de articulação entre a formação em letras e a orientação mais específica para a tradução”, disse, acrescentado que esse processo vai facilitar que os escritores, quer sejam traduzidos a partir de Cabo Verde ou fora, consigam ultrapassar a “simples dimensão geográfica nacional”, passando a ser lidos em países e em línguas que sejam diferentes.

Fátima Fernandes reconhece que a internacionalização não é um trabalho que se faz em pouco tempo, mas que é um trabalho que vai responder a um projecto muito mais abrangente e que em último caso vai contemplar a vertente digital e a integração da literatura cabo-verdiana numa rede internacional.

Para a curadora, a diáspora cabo-verdiana é um mercado e um meio de viabilizar a internacionalização, por isso a estratégia da Biblioteca Nacional passa por consolidar uma equipa de trabalho que possa produzir material suficiente para estar quer no país e na Diáspora.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que foi constatar como é que está a decorrer este primeiro dia da festa do Livro, disse em declarações à imprensa que com este evento pretendem informar os editores, escritores e agentes culturais para perceberem de que não basta publicar ou escrever um livro, mas que é fundamental saber o que é preciso para se internacionalizar.

“É fundamental ter uma estratégia adequada, ter os agentes e as empresas e ter aquilo que é preciso para entrar no mercado nacional e participar nas feiras internacionais. As feiras internacionais e as feiras do livro não são apenas para comprar os livros, mas também para comprar conteúdos ligados à literatura”, disse, assegurando que são essas estratégias que têm faltado às editoras nacionais e à própria Biblioteca Nacional e o Estado de Cabo verde.

Várias outras formações vão ter lugar durante a Festa do Livro para complementar a formação sobre a internacionalização, nomeadamente a do panorama da literatura portuguesa e brasileira na relação que a literatura cabo-verdiana estabelece com as outras literaturas dos PALOP, a construção de narrativas ilustradas e o plano municipal de leitura.

AM/FP

Inforpress/Fim