Ministro destaca plano como “instrumento orientador” para a política nacional de atenção da saúde dos idosos

 

Cidade da Praia, 02 Mai (Inforpress) – O ministro da Saúde e da Segurança Social, Arlindo do Rosário, considerou hoje “histórico”, a apresentação e validação do Plano Estratégico Nacional para Cuidado e o Envelhecimento Activo para o horizonte 2017-2021 (PENCEA) para Cabo Verde.

Arlindo do Rosário, que falava na cerimónia de abertura do encontro, na Cidade da Praia, que visa a validação do plano, adiantou tratar-se de um instrumento “importante” e “orientador” de uma política nacional para uma atenção integral da saúde dos idosos.

“O plano estratégico sobre cuidados ao idoso é um instrumento importante e orientador de uma política nacional que assume que o principal problema que pode afectar este é a perda de sua capacidade funcional, ou seja, a perda das habilidades básicas e instrumentais da vida diária”, disse.

O ministro, que lembrou o facto de que o sistema de saúde cabo-verdiano está organizado apenas para atender à saúde materno-infantil, reconheceu, ainda, que este sistema nunca considerou o envelhecimento como uma das suas prioridades.

Por este motivo, sublinhou, que a finalidade da Política Nacional de Saúde das Pessoas Idosas tem com o objectivo recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, com medidas colectivas e individuais de saúde para esse fim.

Estas medidas, realçou, devem seguir em consonância com os princípios e directrizes do sistema nacional de saúde, pois, a meta final deve ser uma atenção à saúde adequada e digna para os idosos cabo-verdianos.

De acordo com o governante, o conceito de saúde para o indivíduo idoso se traduz mais pela sua condição de autonomia e independência, que pela presença ou ausência de doença orgânica.

“A saúde para a população idosa não se restringe ao controle e à prevenção de agravos de doenças cronicas não-transmissíveis. A saúde da pessoa iodosa é a interação entre a saúde física, a saúde mental, a dependência financeira, a capacidade funcional e o suporte social”, explicou.

Em Cabo Verde, afirmou, apesar do direito universal e integral à saúde ter sido conquistado pela sociedade e reafirmado na Constituição em 1990, ainda persistem desafios, que no caso dos idosos, tem a ver com a aprovação de um estatuto, a implementação de medidas que melhorem o acesso aos cuidados e ao sistema de protecção, bem como o reforço financeiro com vista a uma cobertura universal e de qualidade.

Para o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Mariano Salazar Castellón, o envelhecimento da população cabo-verdiana introduz ao país novas demandas que requerem respostas diferenciadas das políticas sociais com participação do Estado, da sociedade e dos cidadãos.

“Este plano não se restringe apenas a saúde dos idosos, mas ao envelhecimento dos cidadãos cabo-verdianos e tem como objectivo contribuir para o cuidado e o envelhecimento activo do país no período 2017/2021”, disse.

O representante da OMS, que sublinha o facto de se estar a construir o futuro com a validação do plano, avançou ainda, que apresenta um enquadramento global que aborda o envelhecimento na saúde como uma questão cultural no caso específico de Cabo Verde, e que propõe princípios orientadores e estratégias operacionais.

O envelhecimento, enfatiza, quando se dá em condições desfavoráveis acaba por comprometer o acesso dos mais dependentes e carenciados a efectiva protecção social.

Em Cabo Verde, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referente ao ano 2017, 7.8 por cento (%) da população já é considerada idosa. A expectativa de vida ao nascer entre as pessoas de sexo masculino é de 72.2 anos, enquanto a do sexo feminino já ultrapassa os 82.2 anos.

Este indicador, revela o INE, deve continuar a aumentar ao longo do tempo com a previsão de um envelhecimento acelerado com aumento de 50% do contingente idoso da população entre 2017 e 2030, sendo a feminização da população idosa a volta dos 61.7%.

PC/CP

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