Ministro da Saúde questiona origem dos dados do IDH 2016 que apontam para aumento da sida e tuberculose

Cidade da Praia, 23 Mar (Inforpress) – O ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, questionou hoje a origem dos dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2016, que apontam para o aumento das mortes por tuberculose e prevalência do HIV em Cabo Verde.

De acordo com os dados divulgados terça-feira, 21, pelas Nações Unidas, Cabo Verde manteve a posição 122 no rol dos 188 países avaliados, mas registou um agravamento do número de mortes por tuberculose, que passaram de 23 para 31 mortes em cada 100 mil pessoas, enquanto a taxa de prevalência do HIV em adultos duplicou de 0,5 por cento (%) para 1%.

Em conversa com os jornalistas depois de ter presidido a cerimónia de abertura do seminário internacional “Melhorar o acesso e a utilização adequada de medicamentos nas doenças mentais”, o ministro da Saúde e da Segurança Social disse que os números publicados não correspondem aos dados existentes ao nível do país.

“Não sei onde é que foram buscar esses dados”, disse recordando que o mais recente inquérito de sero-prevalência foi realizado em 2004, devendo os dados serem actualizados este ano com a realização do III Inquérito Demográfico e de Saúde Reprodutiva (IDSR III).

“Portanto, há necessidade, realmente, de fazer essa actualização. Entretanto, os dados que nós temos através dos inquéritos muito focalizados não nos dizem isso. Pelo contrário, a apreciação que o Fundo Global, que tem sido o principal financiador do programa de HIV Sida, dá nota positiva ao trabalho que tem sido apresentado pelo CCS-Sida”, anotou, frisando que essa organização trabalha também com a tuberculose e o paludismo.

Arlindo do Rosário disse acreditar que todo o trabalho que vem sendo realizado tem contribuído para a diminuição progressiva dessas infecção a nível da população e, por outro lado, destacou as acções desenvolvidas em relação à não discriminação.

“O que eu digo é que os dados que nós temos a nível de Cabo Verde não nos aponta neste sentido. De todo modo, o que nós estamos a fazer é, de facto, de forma objectiva e serena, fazer esse trabalho de actualização junto com o INE, e creio que em finais de 2017 e finais de 2018 teremos dados actualizados sobre a sero-prevalência em Cabo Verde”, indicou.

O relatório, que apresenta dados de 2015 e em alguns indicadores mesmo de 2014, revela que a esperança média de vida em Cabo Verde subiu dos 73,3 anos para os 73,5.

Num país como um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 6,049 dólares, os dados revelam também ganhos na redução da mortalidade materna, que caiu das 53 mortes por 100 mil nascimentos em 2013 para 42 em 2015, e na mortalidade infantil à nascença (baixou de 21.9 para 20.7/1000 nascimentos) e até aos cinco anos (desceu de 26 para 24.5/1000).

A mortalidade feminina em adultos aumentou de 68 para 97 por mil mulheres, enquanto a masculina desceu de 144 para 137 por mil homens.

O país conseguiu ainda resultados positivos na vacinação de crianças, mas viu agravada a taxa de gravidezes adolescentes de 70.6 para 73.4 por mil jovens entre os 15 e os 19 anos.

Os dados assinalam ainda uma redução dos gastos do Estado com saúde, caindo dos 4,4% do PIB em 2013 para 3,6% em 2014.

Na educação, os principais indicadores mantiveram-se inalterados, com o país a ver aumentar a taxa de literacia para 87.6 por cento (85,3% em 2013), mas também a taxa de abandono escolar no ensino primário, que passou de 8,6% para 9,4%.

Em matéria de segurança, o índice regista um ligeiro aumento da taxa de homicídios (de 10.3 para 10.6 por 100 mil pessoas) e o crescimento da população prisional de 267 para 286 reclusos por 100 mil habitantes.

MJB/CP

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