Ministro da Cultura defende a criação de um novo assentamento urbano em Cidade Velha

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas defendeu hoje que é preciso fazer um plano de requalificação e um novo assentamento urbano para Cidade Velha “para que não haja crimes contra o património Mundial da Humanidade”.

Abraão Vicente lançou esse repto hoje à margem da mesa redonda sobre o “Património cultural em diálogo com: urbanismo, turismo e cidadania” promovida pelo Instituto do Património Cultural, que se realizou esta quarta-feira em Cidade Velha no âmbito do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios que se assinala a 18 de Abril.

“Hoje, Cidade Velha não comporta as famílias com o número de pessoas que tem, portanto é preciso urgentemente fazer um plano de requalificação e um novo assentamento urbano para que não haja crimes contra o património”, advogou o governante indicando que o Governo, em parceria com a câmara municipal local, já estão a trabalhar e serão implacáveis em combater qualquer construção que ponha em perigo a classificação do património da humanidade ou o plano de gestão de Cidade Velha.

Abraão Vicente afirmou que as câmaras municipais já estão avisadas no sentido de não passarem licenciamento e autorização de obras que ponha em causa o valor patrimonial, acrescentando que neste momento já têm disponível um plano de formação para os agentes policiais e para as instituições a nível da segurança no sentido de perceberem que não se trata de uma questão de pessoalizar o que se constrói, mas sim, “que ninguém deve construir”.

“Contudo até pouco tempo atrás podemos ver que existe algum afastamento da população de Ribeira Grande de Santiago em relação ao património, mas pelo facto de as famílias quererem legitimamente ter acesso a terreno para construírem e fazerem as suas habitações”, sublinhou o ministro que disse que hoje em dia a população tem mais consciência de que preservando o património, valoriza-se a Cidade e o auto estima das pessoas.

Conforme realçou o ministro, o momento de socialização é muito importante, mas também a apropriação de todas as instituições que integram a estratégia de Cabo Verde, visando projectar pelo mundo a preservação do seu património.

Informou, por outro lado, que para este ano o seu ministério tem disponível cerca de 90 mil contos, verba essa que, a seu ver, é insuficiente para trabalhar na recuperação, preservação e manutenção dos patrimónios e sítios históricos, mesmo com alguns projectos incluídos no Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidades (PRRA).

“O nosso foco é a recuperação e preservação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a reconstrução da Igreja de Santiago Maior, e para os próximos anos até 2021 o nosso orçamento será superior a 250 mil contos para investimentos na recuperação e valorização do património”, enfatizou o governante adiantando que nesta quinta-feira o Parque Arqueológico da Trindade (ilha de Santiago) será classificado como património nacional.

Na ocasião, Abraão Vicente disse ainda que um dos maiores desafios tem a ver com a preservação e encontrar financiamento contínuo para restauro e manutenção dos patrimónios nacionais, embora reconheça que é muito difícil mobilizar financiamento externo para o sector da cultura.

“É preciso que o Governo inscreva no Orçamento de Estado uma verba permanente para a preservação contínua dos patrimónios, independentemente dos governos que estejam no poder”, defendeu realçando que a preservação do património é crucial para a história e a memória do país.

À margem do evento, o Instituto do Património Cultural assinou um protocolo de cooperação com a Assembleia Nacional e com a Universidade de Cabo Verde.

A cerimónia de abertura contou com a presença do presidente do IPC, Jair Fernandes e do presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, Manuel de Pina.

AV/FP

Inforrpess/Fim