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Ministra da Educação propõe mensagem de paz e solidariedade para a menina desaparecida

 

Cidade da Praia, 25 Nov (Inforpress) – A ministra da Família e Inclusão Social, Maritza Rosabal apelou hoje, na Cidade da Praia, a uma mensagem de paz, solidariedade e de força para a menina Edvanea Gonçalves desaparecida há 12 dias.

O repto foi lançado pela governante quando intervinha hoje no acto central de celebração do Dia Internacional da Violência contra Mulheres e Meninas, este ano sob o lema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e meninas” e da abertura oficial da campanha 16 dias de activismo, denominada “UNA-SE”, que decorreu na Escola Secundária Manuel Lopes, Calabaceira, Cidade da Praia.

Na ocasião, a ministra considerou o desaparecimento da menina de 10 anos “um acto de violência”, tendo convidado os presentes a ficarem de pé e levantarem aos mãos como forma de se “mandar energia positiva e mensagem de solidariedade e de paz para a Edvanea Gonçalves”, desaparecida há 12 dias.

“Infelizmente, estamos perante uma situação de violência contra meninas, e onde quer que ela esteja, a Edvanea Gonçalves precisa da nossa solidariedade e muita energia, sendo também necessário que haja intervenções e acções para tentar desvendar de facto o que aconteceu”, disse a governante.

Entretanto, aproveitou para explicar que há também outras formas de violência, que muitas vezes acontecem nas escolas e no seio da própria família, tendo realçado que é preciso trabalhar na melhoraria do atendimento, diminuir o tempo processual, intervir nas instituições de modo a consensualizar sobre essa problemática.

“A comunicação social é um aliado fundamental para a mudança de mentalidades e de postura, e para isso é preciso produzir materiais adequados para que as mensagens possam ser claras e correspondam à realidade do país”, precisou a ministra.

Por seu turno, o presidente da Rede Laço Branco, Clóvis Silva, também presente no acto disse que esta campanha que hoje acontece a nível mundial visa alertar a sociedade sobre a violência contra meninas e mulheres, e que a instituição que dirige não podia ficar indiferente por uma problemática que afecta milhares de mulheres em Cabo Verde e em todo o mundo.

“Os dados estatísticos indicam que 1 em cada 3 mulheres já sofreu, está a sofrer ou irá sofrer algum tipo de violência no espaço doméstico ou numa relação de intimidade, números que têm aumentado, razão pela qual nós continuamos a engajar neste tipo de iniciativas”, indicou, assegurando que o principal desafio é unir a sociedade e que identifiquem esse flagelo como um problema.

No seu entender, a educação é ponto chave para essa mudança de mentalidade, mas também é onde está o problema pela forma como é diferenciada a educação entre meninas e meninos, a extrema liberdade dada aos rapazes e depois na maturidade quando vão constituir famílias os homens utilizam a violência como parte do seu papel social enquanto que as meninas são mais sensíveis.

“Este tipo de atitudes está a refletir noutros números a nível da sociedade, sendo que 99% dos presos são homens, os problemas do álcool, e das drogas afectam mais os rapazes e as meninas têm mais sucessos escolares”, apontou, lembrando que a Rede Laço Branco tem feito várias acções a nível das escolas e universidades com o intuito de chamar a atenção sobre esta problemática e tentar mudar esta realidade em Cabo Verde.

De acordo com os dados divulgados pelo ICIEG, as denúncias sobre Violência Baseada no Género (VBG) aumentou 13 % no primeiro semestre de 2017, face ao período homólogo de 2016.

Os dados apontam que a ilha do Maio foi o concelho onde se registou o maior número de denúncias sendo que houve um aumento de 200%, face ao período homólogo de 2016 (5 para 15), seguido do Paul com 120% (5 para 11) e Santa Catarina do Fogo com 100% (13 para 26).

Os números revelam que em Santa Catarina do Fogo houve um aumento de 56% (14 para 32), seguido de Tarrafal de Santiago e Ribeira Grande de Santiago com 50 % (30 para 45), (2 para 3).

A campanha de 16 dias de activismo que teve o seu início hoje na Escola Secundária Manuel Lopes, Calabaceira, e vai prosseguir até 10 de Dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, com várias actividades que visam unir as vozes das mulheres e meninas pelo fim da violência no país.

Promovido pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e a Equidade de Género (ICIEG) em parceria com ONU Mulheres, a cerimónia foi presidida pela ministra da Família e Inclusão Social, Maritza Rosabal em presença da coordenadora da ONU-Mulheres em Cabo Verde Vanilde Furtado.

AV/FP

Inforpress/Fim