Ministério da Agricultura recomenda sementeiras após queda das primeiras chuvas

São Domingos, 02 Ago (Inforpress) – O coordenador do Grupo de Trabalho Pluridisciplinar (GTP) para o seguimento do ano agrícola 2018/2019, Celestino Tavares, recomendou hoje que os agricultores arranquem com as sementeiras após a queda das primeiras chuvas para evitar a perda de sementes.

Celestino Tavares fez esta recomendação em declarações à Inforpress, à margem de uma missão de serviço realizada hoje em Rui Vaz, São Domingos, interior de Santiago.

O coordenador do Grupo de Trabalho Pluridisciplinar afirmou terem constatado que alguns agricultores já começaram a sementeira a seco, em pó, muito embora seja algo que não é recomendado pelo Ministério da Agricultura e Ambiente.

“Este ano as sementes estão escassas, quando assim é nós recomendamos que a sementeira seja feita após a chuva, para termos a certeza que não vamos perder sementes. A sementeira em pó tem vantagens sim, mas tem muitas desvantagens”, acrescentou.

Quanto às desvantagens, Celestino Tavares cita o risco da perda de sementes, uma vez que, além das pragas que existem em Cabo Verde, as sementes podem ser atacadas por galinha de mato, corvo, macacos e alguns animais domésticos.

“Tudo isso contribui para a perda de sementes, o que não é desejável que os agricultores façam, neste momento, a sementeira em pó”, defendeu.

Relativamente à campanha fitossanitária, Celestino Tavares diz acreditar que esta vai, este ano, ser “um grande desafio” para o ministério.

“Aqui em Cabo Verde nós temos um conjunto de pragas que atacam as culturas do sequeiro. As mais importantes sempre foram o gafanhoto e o percevejo verde (tartaruga), mas em 2017 nós registamos uma nova praga que é lagarta-do-cartucho do milho, que pode atacar o milho em qualquer fase de desenvolvimento”, acrescentou.

Aquele responsável defendeu ainda que as autoridades na matéria devem estar preparadas para, realmente, apoiar os agricultores no controlo destas pragas porque, se não acontecer, poderá haver chuvas e não acontecer a produção desejada.

Quem também prestou declarações à Inforpress foi a agricultora Celeste Fernandes quem disse que em Rui Vaz “as coisas ainda estão péssimas”.

“Todos os anos por essas alturas já estávamos mais ou menos adiantados. Mas este ano estamos atrasados. Não temos, por exemplo, o repolho que, todos os anos por esta altura já teríamos começado a plantar”, afirmou aquela mulher do campo mostrando-se “expectante” que as coisas possam melhorar.

Refira-se que os agricultores de Rui Vaz foram hoje contemplados com a distribuição de sementes por parte do Ministério da Agricultura e Ambiente.

GSF/ZS

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