Membro do MFPA diz que valorização da obra de Cabral passa por retirar sua imagem do “vector partidário”

Cidade da Praia, 13 Set (Inforpress) – O Movimento Federalista Pan-africano (MFPA) defendeu hoje que para que a memória de Amílcar Cabral “continue viva” e sua “herança valorizada” pelos cabo-verdianos é preciso que a sua imagem seja retirada do “vector partidário” em Cabo Verde.

O membro do MFPA Yuri Queita fez estas afirmações, em declaração à Inforpress, à margem da Roda de Conversa subordinada ao tema “A actualidade do pensamento de Amílcar Cabral face ao imperativo da unidade africana”, promovida esta quinta-feira na Fundação Amílcar, na Cidade da Praia.

Conforme explicou, o MFPA quis com essa iniciativa assinalar o aniversário de nascimento de Amílcar Cabral, que se celebra hoje, abordar sua vida e obra, bem como reflectir a importância do seu pensamento no contexto actual.

Na ocasião, lamentou o facto de a “rica herança” de Amílcar Cabral, que considerou como uma “figura de carácter nacional e pai da nacionalidade” cabo-verdiana, “não tem merecido uma atenção especial por parte dos cabo-verdianos”.

“O Movimento Federalista Pan-africano não podia deixar passar em branco uma efeméride como o 12 Setembro, temos reparado que há um certo apagão da rica herança que a vida e obra de Amílcar Cabral nos proporcionou, nessa medida quisemos trazer esse novo e rico arquivo Cabralista, pôr no centro do debate da agenda política nacional e queremos que principalmente jovens e crianças se interessem mais pela história de Amílcar Cabral”, disse.

Abordando a questão de como seria Cabo Verde se Amílcar Cabral ainda fosse vivo, Yuri Queita foi peremptório ao afirmar que o arquipélago seria “um país melhor em vários aspectos” e que os valores e a figura de Amílcar Cabral seriam benéficos para o desenvolvimento nacional.

“Não querendo ser demagogo, mas acredito que os valores que Amílcar Cabral deixou trariam para o centro da nossa vida social muitos frutos e seriam benéficos para todos os cabo-verdianos porque temos reparado que existe uma falta de valores, liderança na nossa juventude e a sua presença mudaria o cenário actual que vivemos”, defendeu.

Entretanto, defendeu um “maior engajamento” da sociedade civil, instituições, poder local e central e entidades das diferentes áreas na divulgação e preservação da memória de Amílcar Cabral, afiançando que é preciso que sua imagem esteja “acima dos partidos políticos”.

Disse, ainda que a divulgação e promoção dos valores cabralistas no quotidiano dos cabo-verdianos, e não somente aquando das efemérides, iriam possibilitar uma “maior presença” de Amílcar Cabral em todas as esferas da sociedade cabo-verdiana.

Yuri Queita congratulou-se, por outro lado, com o anúncio da campanha “Agenda 2024”, pelo Ministério da Cultura, que visa preparar as comemorações do centenário de Amílcar Cabral, salientando, no entanto, que essa agenda só terá “um valor efectivo” se for “disseminado e apropriado” pelo povo, que, na sua opinião, deve olha Amílcar Cabral como “ferramenta imprescindível” para o progresso de Cabo Verde.

Amílcar Lopes Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá (Guiné-Bissau), filho de pais cabo-verdianos.

Fundou o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), lançando as bases do movimento que levaria à independência das duas antigas colónias portuguesas.

Foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri, em circunstâncias ainda hoje não totalmente claras, antes de ver os dois países tornarem-se independentes.

O Movimento Federalista Pan-africano é um movimento que nasceu em 2015 como uma vertente da base popular que pretende a partir do povo unificar o continente africano numa base federalista.

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