Mais de 100 reclusos alfabetizados nos últimos dez anos em São Vicente – responsável (c/áudio)

Mindelo, 29 Ago (Inforpress) – O serviço de alfabetização de reclusos em São Vicente já escolarizou, nos últimos dez anos, mais de uma centena de alunos da Cadeia da Ribeirinha, uma acção considerada “um sucesso” pela delegada local da Educação.

Este serviço, promovido pelo Centro Concelhio da Alfabetização de Adultos (CCAA) do Ministério de Educação, funciona em São Vicente, conforme informações avançadas por Maria Helena Andrade, à Inforpress, há cerca de 11 anos e, no ano lectivo passado, contou com duas turmas de 30 alunos no total.

“Uma turma da segunda fase e outra de terceira fase, com 15 alunos cada. Destes números, 18 ficaram aprovados”, explicou a delegada de Educação, para quem a acção formativa tem sido um “sucesso”, uma vez que, nos últimos dez anos, mais de cem alunos viram concluída a sua formação do 6º ano.

Resultados que, segundo a mesma fonte, advém da “grande colaboração” entre a direcção da Cadeia Central da Ribeirinha, que disponibiliza os espaços, “com excelentes condições”, e os materiais escolares, e o CCAA que, por seu lado, concede os manuais e os professores.

Uma iniciativa que primeiramente pretende “diminuir ou erradicar” a taxa de analfabetismo em Cabo Verde e, por outro lado, ajuntou, promover “direitos fundamentais” dos reclusos.

“O objectivo é dar aos reclusos a oportunidade de terminarem o Ensino Básico obrigatório e quando saírem da prisão terem maior possibilidade de ingressarem no mercado de trabalho”, lançou Maria Helena Andrade, destacando o facto de estes indivíduos, apesar de estarem em situação de reclusão, “não podem ficar excluídos desse direito fundamental, que é a educação”.

“Portanto, combater a exclusão, dar a essas pessoas a oportunidade de terem melhores condições de vida e aproveitarem o seu tempo na cadeia de melhor forma”, acrescentou.

Nesta senda, já se estuda a possibilidade, segundo a mesma fonte, de se alargar a alfabetização na instituição prisional até ao 8º ano de escolaridade, como acontece com o ensino obrigatório, neste momento.

“Estamos na fase de contactos para saber se a cadeia tem condições para acolher mais essas turmas”, afirmou a responsável, que acredita ser isso possível “muito em breve, pelo que se mostra “confiante” nesta parceria que, numa outra vertente, permite, inclusive, reclusos cumprindo penas comunitárias fazer trabalhos de manutenção em escolas de São Vicente.

A 08 de Setembro comemora-se o Dia Mundial de Alfabetização e a Delegação da Educação em São Vicente já tem programado, conforme Maria Helena Andrade, algumas actividades que vão ser divulgadas nos próximos dias.

LN/JMV

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