Maio: Presidente da União das Cooperativas da ilha do Maio defende “cooperativismo por objectivo”

Porto Inglês, 08 Ago (Inforpress) – O presidente da União das Cooperativas da ilha do Maio, Arlindo Silva, defendeu hoje que uma das prioridades para o desenvolvimento da ilha deve passar pela criação do “cooperativismo por objectivo”.

Em declarações à Inforpress, no momento em que a Cooperativas da ilha do Maio está a comemorar os seus 30 anos de existência, Arlindo Silva assegurou que o Maio tem “um grande potencial ” no ramo da criação de gado, agricultura e pesca, mas que não está sendo bem aproveitado.

Por esta razão, o responsável defendeu que o “caminho certo” deve passar pela criação de cooperativismo “por objectivo”, que pode criar “emprego durável”.

Segundo Arlindo Silva, quando as pessoas se organizem em cooperativa, têm acesso mais facilitado em conseguir o crédito, bem como na organização e gestão dos seus meios de produção e acabam por atingir os seus objectivos que, caso estivessem isoladas,não conseguiriam.

De acordo com a mesma fonte, o cooperativismo na ilha surgiu na década de 80, com foco na agricultura, período durante o qual foram formados vários agricultores, visando uma produção mais empresarial, tendo em vista que na ilha a produção agrícola era exclusivamente de subsistência.

Recordou que na altura havia pouca diversidade de produtos e que os existentes baseavam-se somente na produção de batata doce, mandioca e milho, contribuindo, por isso, para “uma dieta mais pobre”.

“A cooperativa no Maio surgiu aquando da implementação do projecto integrado da ilha (PIM), financiado pelos governos da Alemanha, Inglaterra e Itália, em que foram introduzidas duas vertentes, quais sejam a parte de gestão empresarial e a parte social”, disse, explicando que para tal houve toda uma acção de formação, desde gestão de pequenas empresas agrícolas, passando pela formação em contabilidade.

“Muitos agricultores foram formados e até hoje usufruem deste conhecimento”, frisou.

Arlindo Silva lembrou ainda que, graças a criação de duas cooperativas no ramo agrícola, a ilha conheceu uma nova dinâmica no sector, o que, na sua opinião, veio possibilitar uma produção em grande escala que servia tanto para abastecer o mercado local, como as ilhas de Boa Vista, Santiago e Sal.

Segundo o responsável, a par disso, foi também criada a união das cooperativas de consumo, virada para a vertente comercialização de géneros alimentícios.

“A cooperativa é uma organização bem estruturada e bem pensada e que vai ao encontro das pessoas com mais necessidade e não só. Por isso, defendo sempre que as pessoas devem associar-se em cooperativas, para puderem resolver os seus problemas, basta que estejam bem organizadas “, fez saber.

Arlindo Silva informou ainda que, enquadrado no projecto PIM, foi dado inicio à criação da cooperativa no ramo da produção de cal e gesso, mas que as associados não conseguiram levar avante esta iniciativa, pelo que de momento só existe a cooperativa agrícola familiar, na localidade de Pilão Cão, que, na sua opinião, é um modelo a seguir, bem como a de produção de sal que tem empregado várias mulheres.

Aquele representante disse ainda congratular-se com a iniciativa da Direcção-Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária, que elaborou o master plan para ilha, para o horizonte 20118/20130, no qual consta a criação de algumas cooperativas de produção em diversos sectores.

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