Maio: Praias de areia branca são melhores incubadoras de ovos e de ninhos das tartarugas marinhas – revela o estudo da FMB

Porto Inglês, 07 Jul (Inforpress) – O estudo realizado pela Fundação Maio Biodiversidade durante o ano de 2017, revela que as praias de areia branca são melhores para a incubação de ovos e de ninhos das tartarugas marinhas.

Em declarações hoje à Inforpress, o especialista Juan Martinez assegurou, que durante o ano de 2017, a FMB realizou vários estudos sobre a qualidade das diferentes praias, bem como o nível de temperatura e entre outros, tendo concluído que as praias de areia branca reúnem “melhores condições” para a incubação dos ninhos das tartarugas marinhas.

“Também estudámos diversos tipos de areia e as suas qualidades e chegamos à conclusão que na areia branca as crias são mais grandes, mais pesadas e mais rápidas, enquanto que na areia preta as crias são mais pequenas e um pouco mais lentas.  Então se houver algum desastre ambiental na ilha com derrame de petróleo ou inundações e tivermos que proteger os ninhos sabemos que as praias de areia branca são melhores”, explicou.

Neste sentido, aquele especialista avançou que tendo em conta que a praia de Beach Rotcha é composta somente de areia branca, então este ano vão colocar um viveiro naquele sítio para poderem monitorizar e comprovar os dados do ano passado e ao mesmo tempo aproveitar aquele viveiro para sensibilizar os maienses e os turistas sobre a importância da conservação.

Juan Martinez avançou ainda que o nível das temperaturas influência muito na determinação do sexo das crias, neste particular explicou que caso a temperatura for alta como aconteceu durante o ano de 2017, a probabilidade é que os ninhos sejam maioritariamente compostos por crias fêmeas rondando os 90 por cento.

“Quando as temperaturas forem médias a possibilidade é que o ninho seja composto tanto por crias fêmeas como por machos, mas quando ela for baixa, a probabilidade é que o ninho seja composto maioritariamente por crias machos, mas quando a temperatura estiver mais fria produz-se muitos machos. Então o que encontramos na ilha do Maio durante 2017, em que a temperatura foi muito alta, é que houve muita produção de fêmeas”, fez saber.

Conforme a mesma fonte, com os efeitos da alteração da mudança climática em que a probabilidade é para o aumento da temperatura, a ilha pode vir a produzir maioritariamente crias fêmeas e poucos machos, o que pode criar algum desequilíbrio.

Durante o ano de 2018, a FMB também tem vindo a realizar um estudo para analisar o impacto e a proveniência dos lixos marinhos que dão à costa na ilha e, de acordo com os resultados preliminares, foi identificado que 99 por cento dos lixos são plásticos e os restantes são metal e lixos domésticos.

“Também vamos estudar em parceria com a Universidade de York da Inglaterra as partículas dos microplásticos existentes nas praias, bem como as que se encontram nos primeiros metros dentro das praias”, frisou.

Juan Martinez adiantou ainda que, em parceria com a Universidade de Aveiro (Portugal), este ano vão implementar o uso da tecnologia na captação dos dados usando os smart phones e para tal uma equipa composta por três grupos já está capacitada para iniciar os trabalhos já nesta semana. Para a realização de todos estes estudos, bem como a fidelidade das fêmeas na procura das praias para nidificarem, a FMB conta com parceria das Universidades de Cabo Verde, de Queen Mary e York (Inglaterra) e Aveiro(Portugal).

Os resultados vão ser divulgados no próximo ano tanto nas Universidades, como em revistas especializadas na matéria e na página da FMB nas redes sociais.

WN/ZS

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