Maienses celebram hoje a festa de Santa Cruz e os 558 anos da descoberta da ilha com algum descontentamento

Porto Inglês, 03 Mai (Inforpress) – Os maienses celebram, hoje, a festa de Santa Cruz e os 558 anos da descoberta da ilha com um misto de “alegria e descontentamento”, porque não foi concedida a tolerância de ponto à semelhança dos anos anteriores.

A ilha do Maio completa os 558 anos do seu achamento, que aconteceu a 01 de Maio de 1460 pelos navegadores António da Noli (Genovês) e Diogo Gomes (Português), uma data considerada “bonita” para o ex- professor do ensino secundário Amílcar Andrade, que, conforme lembrou, no início a ilha era chamada de Dellas Mayas, isto é ilha das flores, que significava, em sentido figurado, ilha da primavera porque a ilha era verdejante.

Amílcar Andrade lembrou ainda que, antigamente, era hábito na ilha enfeitar as crianças com flores no dia 01 de Maio, bem como prender ramos de flores à porta das casas das pessoas, como forma de demonstração de amizade e de glorificar a primavera, no auge da sua exuberância.

No entanto, a sociedade maiense mostra-se “descontente” com o governo central, que este ano não autorizou a solicitação da câmara municipal para atribuir tolerância de ponto durante o dia de hoje, para que a população do Maio pudesse festejar o dia da Santa padroeira e da Tabanka de Djarmai.

Segundo o deputado do PAICV (oposição) para o círculo eleitoral do Maio, Fernando Frederico, o 03 de Maio é tido como uma data “simbólica”, visto que o mesmo está associado ao descobrimento da ilha do Maio, tanto é que no passado recente, se festejava hoje o dia do município. Mas, acrescentou que por decisão da autarquia na década de 90 foi transferido para 08 de Setembro dia de Nossa Senhora da Luz.

Conforme avançou aquele deputado da nação, o MpD, que sempre venceu na ilha, “está a dar as costas” ao povo maiense “em vários sentidos” e aproveitou a ocasião para exortar o Governo a dar-lhes a dignidade da Santa Cruz, apelando ao presidente da Câmara Municipal do Maio e ao vereador da cultura que intercedam pelo povo desta ilha, para que, no próximo ano, esta situação não venha a acontecer.

O sentimento de descontentamento é geral no seio da população maiense, principalmente por parte dos juízes da festa ,que, segundo afirmam, sem a tolerância de ponto a população não vai participar como habitualmente na missa solene, bem como no cortejo à Cruz sito na salina de Porto Inglês, onde é rezada a ladainha e atribuído os juízes do próximo ano.

O juiz da festa José Eduardo dos Santos disse ainda estar “descontente” com a Câmara Municipal de Santa Cruz na ilha de Santiago e com o ministro da Cultura que, justificou, não concederam apoio ao grupo de tabanka daquele município para vir participar nas actividades que estavam programadas no âmbito das festas de Santa Cruz na ilha do Maio.

“Não entendemos esta situação, por isso estou muito triste com isso, porque dizem que estão a promover a tabanka, mas se assim é deve-se incentivar e apoiar o intercâmbio entre estas duas ilhas, onde a tabanka é vivida com intensidade. Tínhamos tudo preparado e as pessoas da ilha do Maio já estavam à espera da chegada do grupo, mas infelizmente não aconteceu”, frisou.

Por seu lado, a juíza da festa Maria de Lurdes Frederico, que reside na Holanda e que veio de propósito para festejar este dia, revelou que era o seu desejo de um dia festejar esta efeméride, por isso disse estar satisfeita com o decorrer de todas as actividades, que, na sua opinião, têm decorrido de forma “satisfatória”, apesar da não atribuição da tolerância de ponto à semelhança dos anos anteriores.

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