Livro “Casa dos Estudantes do Império” vai ser lançado na Cidade da Praia

Cidade da Praia, 17 Abr. (Inforpress) – A Cidade da Praia vai ser o palco do lançamento e apresentação do livro “Casa dos Estudantes do Império – 50 anos, Testemunhos, Vivência, Documentos”, durante o VIII Encontro de Escritores de Língua Portuguesa , que se realiza de 19 a 21.

Trata-se de um livro que assinala uma homenagem a “Casa dos Estudantes do Império”, criada em 1944, proibida pela Policia Política Portuguesa, a PIDE, do regime fascista e fechada em 1965.

A informação foi avançada à imprensa hoje pelo responsável da obra, Rui d’Avila Lourido, também coordenador da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, UCCLA, tendo avançado que o livro dedica uma homenagem aos antigos presidentes, ainda sobreviventes, que se deslocaram para este preito em Portugal, sendo daí retratados neste livro.

A Casa dos Estudantes do Império, CEI, de acordo com este livro, foi criada pelo regime colonial para, num único espaço, melhor controlar todos os estudantes universitários provenientes das ex-colónias portuguesas que não possuíam instituições de Ensino Superior e que tinham assim de prosseguir os em Portugal.

“A CEI permitiu a reunião de estudantes de todos os territórios sob dominação colonial portuguesa, Goa, Macau, Timor Leste, de África e, singularmente, também, muitos do país irmão que é o Brasil, tendo-se transformado , desde o início, num enorme incentivo à consciencialização da sua singularidade étnica, no caso dos estudantes africanos e da sua africanidade”, lê-se nesta obra.

Foram associados da Casa dos Estudantes do Império, ou tiveram participação nela, personalidades incontornáveis da cultura e da política africana como Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Lúcio Lara, Fernando França Van Dúnem, Joaquim Chissano, Pascoal Mocumbi, Pedro Pires, Onésimo Silveira, Francisco José Tenreiro, Alda do Espírito Santo, Vasco Cabral, Pepetela, Alda Lara de entre outras.

A conferência servirá ainda para o lançamento do livro “A Caminhada” , de Samuel Gonçalves, sendo que vai ainda ser aproveitada para o lançamento da terceira edição do Prémio Literário UCCLA, Novos talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa”, referenciado como o “maior prémio do espaço lusófono”.

“Não há outro prémio do Brasil a Timor que tenha tantas candidaturas como este de literatura de revelação da UCCLA”, especifica Rui d’Avila Lourido, sublinhando que o concurso teve 805 candidaturas, inclusive de Cabo Verde, para o júri seleccionar 10 obras após uma primeira equipa de apreciação.

SR/JMV

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