Líder da oposição acusa presidente do Parlamento de “parcialidade” na condução do debate sobre o Estado da Nação

Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – A líder da bancada parlamentar do PAICV (oposição) Janira Hopffer Almada acusou hoje o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, de ter conduzido de “forma parcial e absoluta falta de isenção” o debate sobre o Estado da Nação.

A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde fez estas considerações no encerramento do debate sobre o Estado da Nação em que realçou que o “país não está bem”, afirmação essa corroborada pelos deputados da União Cabo-verdiana Democrática e Independente (UCID), também da oposição.

“O país não está bem porque a dívida pública está a aumentar e não se conhece nenhum investimento estruturante do Governo”, indicou a líder da oposição, acrescentando que o executivo de Ulisses Correia e Silva garante que o país está a crescer, mas que o povo “não sente este crescimento” e tendo mesmo o Presidente da República vindo a público “dizer isso mesmo”.

Para justificar que o “país não está bem”, Janira Hopffer Almada apontou o exemplo dos empresários que já vieram a público que “têm exactamente os mesmos problemas que há dois anos”.

“Além de o senhor primeiro-ministro não ter criado empregos, ainda teve a capacidade de destruir seis mil empregos no último ano”, indicou, acrescentando que o chefe do Governo “lançou no desânimo e na desesperança mais mil cabo-verdianos que deixaram de procurar emprego”.

Segundo Janira Hopffer Almada, a Nação não está bem porque “quem adoece nas ilhas em situação de emergência corre o risco de vida”.

Acusou, ainda, o primeiro-ministro de não ter cumprido as promessas “de milhares de bolsas de estudo, o que segundo ela, está a obrigar “centenas de estudantes a abandonar as universidades”.

“As famílias estão a viver pior porque os seus salários não aumentaram e estão a pagar mais e mais para obterem água, luz, para se deslocarem e pôr os seus filhos na escola”, lamentou a líder da oposição acusando ainda o executivo de Correia e Silva de “desmantelar o Programa Casa para Todos e não colocou sobre a mesa nenhuma outra alternativa e os pobres deixaram de ter direito à sua habitação própria”.

No plano da política externa, a presidente do PAICV considera que o país “está de rasto”, porque está a abrir mão da sua soberania e, além de estar a ser “desmentido frequentemente, porque fazemos anúncios sem responsabilidade”.

“A Nação não está bem porque não se respeitam os direitos e liberdades e garantias, porque se impedem graves nos termos da lei”, sublinhou, dizendo que o Governo “intimida e sanciona todos quantos discordam da sua postura antidemocrática”.

Por sua vez, deputado da UCID António Monteiro afirmou que nas suas visitas a diversas partes do país verificou que o “povo reclama um país com melhores condições para se sentirem mais felizes”.

“As coisas não estão a correr bem”, apontou Monteiro pedindo ao chefe do Governo a “pensar nos jovens, de Santo Antão a Brava, que estão a enfrentar dificuldades” assim como nos chefes de famílias que “estão a ter grandes dificuldades”.

Emanuel Barbosa, na qualidade de vice-presidente do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia, partido que suporta o executivo no Parlamento, considerou que o debate demonstrou que o PAICV “não tem alternativas às políticas do Governo do MpD”.

“O PAICV não apresentou ideias nem projectos nem programas e deixou claramente que não tem soluções para Cabo Verde”, lamentou Emanuel Barbosa, para quem o maior partido da oposição e sua líder “não se prepararam devidamente para este debate”.

Na sua perspectiva, os deputados do PAICV estiveram no debate para “lançar suspeições, calúnias e distorcer factos para tentar deitar poeira aos olhos dos cabo-verdianos”.

Para ele, tudo isto foi “em vão porque os cabo-verdianos sabem distinguir o trigo do joio”.

“O país precisa de mensagens positivas e dispensa mensagem de medo, de depressão e da denegação”, advertiu Barbosa, adiantando que não é com o discurso de “bota- abaixo” que se conseguirá “mobilizar os cabo-verdianos” para, todos juntos, o país vencer os obstáculos que  ainda tem pela frente.

De acordo com as suas palavras, “o Estado da Nação é bom e estamos no caminho certo” e que os dois anos de governação do MpD se traduziram em “resultados concretos para o país”, com um “crescimento quatro vezes mais do que vinha acontecendo”.

“Em menos de dois anos este Governo conseguiu reduzir a taxa de desemprego de 15 % (por cento) para 12.2%”, apontou, acrescentando que se está diante de uma redução que “há seis anos o país não conhecia”.

“Os resultados positivos são transversais a todas as áreas da governação”, disse Emanuel Barbosa.

Segundo ele, as mudanças não estão a acontecer por acaso, ou seja, por mera troca de Governo.

Fez ainda saber que os “resultados positivos” que o país está a experimentar advém sobretudo da mudança de politica verificadas com a alternância ocorrida a 20 de Março de 2016.

LC/FP

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