Lei do mecenato “não funciona” – Paulo Varela

Assomada, 29 Jun (Inforpress)- O activista social e escritor tarrafalense Paulo Varela alertou hoje para o facto de a lei do mecenato vigente no país não estar a funcionar, considerando que editar livros no contexto actual é uma “forma de escravatura”.

As declarações foram feitas a propósito do seu primeiro livro agora apresentado em Santa Catarina, sob o título “Para nunca mais ser escravo”.

Além de um livro de poesia, a obra é um exercício de memória que buca preservar as raízes do ser caboverdiano, procurando transportar a génese da alma crioula até às gerações futuras.

Numa linguagem poética simples, o livro atravessa os 47 anos de vida do autor entre o Tarrafal, Portugal, Cuba, Guiné-Bissau, Senegal, Gâmbia Egito e Marrocos.

Na apresentação, Paulo Varela falou sobre a lei que prevê apoios das empresas e do Estado à edição, afirmando que tais instrumentos nunca funcionaram. E isso fez com que as editoras “escravizassem os escritores”, afirmou.

Paulo Varela, que falava em declarações à Inforpress, explicou que as editoras pedem entre 70 a 90 por cento (%) dos lucros da venda dos livros, deixando o escritor que faz todo trabalho com apenas 10 por cento da receita.

“A lei do mecenato não tem funcionado porque os próprios autores e escritores não estão bem organizados. Temos uma Academia de Letras, mas ela é de elite, não para quem está a iniciar-se, não para escritores desconhecidos e do mundo rural, mas para os da cidade e para um grupo de pessoas”, exteriorizou.

O escritor tarrafalense criticou ainda a forma como a própria Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL) tem tratado os escritores “desconhecidos”, beneficiando sempre as mesmas pessoas, que, segundo Paulo Varela são as mesmas que participam em concursos literários nacionais e internacionais.

No seu caso particular, por causa das dificuldades em conseguir apoios, assegurou que as despesas com a publicação foram suportadas a 100 por cento (%) por recursos próprios.

Paulo Varela nasceu em 1970 no Tarrafal (Santiago). É formado em Agronomia e tem ainda uma licenciatura em Direito. Actualmente é técnico do Ministério da Agricultura.

FM/SIC

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