Legislativas de domingo no Senegal com o regresso de Wade aos 91 anos

 

Lisboa, 28 Jul (Inforpress) – As eleições legislativas de domingo no Senegal estão marcadas já pelo recorde de 47 listas, bem como pelo regresso à política activa do ex-Presidente Abdoulaye Wade (2000/2012) que, aos 91 anos, tenta agora a chefia do Governo senegalês.

Wade, líder do Partido Democrático Senegalês (PDS), é visto como um dos possíveis vencedores da votação, que o oporá ao candidato da Aliança para a República (ApR), ligada ao chefe de Estado Macky Sall (empossado em 2012), que pretende manter Mohammed Dionne como primeiro-ministro.

Outra das listas é liderada pelo presidente da Câmara de Dacar, Khaliffa Sall, detido preventivamente desde Março deste ano sob a acusação de “desvio presumível de fundos”, face a “despesas não justificadas” de mais de 2,7 milhões de euros durante os primeiros anos de mandato, iniciado em 2009, à frente da edilidade.

O edil, que, apesar de tudo, continua em funções, tem dirigido a campanha eleitoral, iniciada a 09 deste mês, a partir da prisão de Dacar e os seus apoiantes têm insistido que a detenção constitui uma “tentativa do poder para eliminar” um adversário político para a votação presidencial de 2019, acusação rejeitada pelo Presidente e pelo Governo.

Khalifa Sall, que não tem qualquer ligação familiar ao presidente senegalês, é visto localmente como um dos principais opositores de Macky Sall nas presidenciais de 2019 (os mandatos presidenciais no Senegal têm a duração de sete anos).

No entanto, a 20 deste mês, Khalifa Sall viu o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar o recurso apresentado, depois de idêntica decisão ter sido tomada pelo juiz de instrução e, depois, pelo Tribunal de Apelo.

Wade, que regressou a Dacar a 10 deste mês, após dois anos em França, já admitiu que, face à idade, não irá realizar ações de campanha como quando era “mais jovem”, mas garantiu que tudo fará para estar presente no maior número de iniciativas.

Observadores políticos citados pela France-Presse referem que as legislativas de domingo constituem um teste à representatividade da ApR, tendo como pano de fundo as presidenciais de 2019, com base nas realizações da presidência de Macky Sall nos domínios económico, social e infraestrutural do país.

Do lado da oposição fracassou a tentativa de apresentar uma lista comum formada pelos diferentes líderes partidários, com Wade a encabeçá-la, com o fim de ganhar as legislativas e “impor uma inédita coabitação” ao presidente Macky Sall, pelo que surgiram então as 47 forças políticas, mais 23 do que nas eleições de 2012.

A campanha eleitoral decorreu praticamente sem incidentes de maior, à excepção da interrupção das iniciativas por um dia, a 16 deste mês, após a tragédia registada num estádio de futebol em Dacar, em que oito adeptos morreram espezinhados quando a multidão fugia do gás lacrimogéneo lançado pela polícia para dispersar apoiantes dos dois clubes que disputavam a final da Taça da Liga senegalesa.

Para ir às urnas no Senegal, um dos poucos países africanos que nunca teve um golpe de Estado e que promoveu o sistema democrático desde 1980, estão inscritos 6,2 milhões de eleitores (de um total de 15,41 milhões de habitantes), que irão escolher os novos 165 deputados à Assembleia Nacional (AN), mais 15 do que em 2012.

O aumento do número de deputados resultou do consenso político alcançado em março de 2016, quando foram aprovadas alterações à Constituição, permitindo a inclusão de dezena e meia de novos parlamentares em representação da vasta diáspora senegalesa.

Lusa/Inforpress/Fim