KJF 2017: Cantora brasileira Maria Gadú foi a grande atração da noite acompanhada de Mayra Andrade

 

Cidade da Praia, 15 Abr (Inforpress) –  A artista brasileira Maria Gadú, que actua pela primeira num palco em Cabo Verde foi a “grande atracção” da noite do segundo dia do Kriol Jaz Festival 2017 (KJF) num show onde partilhou o palco com Mayra Andrade.

O segundo dia do KJF que foi marcado pelo atraso, tendo começado por volta das 21:00, com o acto de homenagem ao violinista Humberto Bettencourt “Humbertona”.

Para o efeito foi exibido um vídeo com vários testemunhos de artistas e familiares, tendo ainda o homenageado recebido um retrato da artista plástica Leomar (Leontina Ribeiro).

Humbertona disse à imprensa, estar “lisonjeado” por este reconhecimento, que no seu entender quer dizer que deu uma “contribuição válida” para a música e a cultura cabo-verdiana.

Em termos que actuação musical o primeiro artista a subir ao palco por volta das 21:30, foi o também compositor e baterista cabo-verdiano Grece Évora, que já está a preparar um novo trabalho discográfico, tendo cantado a primeira música no comando da bateria.

Do seu repertório as coladeiras de Manuel de Novas dominaram o seu concerto fazendo-se acompanhar da banda que veio de Holanda composto por Djoy Delgado (Teclado), Johnny Fonseca (Guitarra) e Danilo Tavares, segundo Grece Évora, “grandes músicos”que infelizmente lamenta terem estado ausentes dos festivais nacionais.

A actuação deste artista considerado uma das grandes vozes da música cabo-verdiana, contou ainda com a colaboração do espanhol executante da harmónica, António Serrano, ajudando-o a conquistar “muitos aplausos” por parte do público, principalmente no tema “Lolita”.

Grece Évora que fez um desabafo, dizendo que estava num “palco diferente”, na sua actuação tentou fazer uma “mistura do jazz” e para fechar a sua participação despois de cantar “Se Deus Quiser” ao som de “El é Sabim” em que o público cantou e dançou.

A segunda actuação da noite foi da artista americana com raízes hatiana Leyla McCalla que trouxe a “tradição haitiana” por volta das 23:43, tendo sido muito aplaudido por parte do público, principalmente no tema cabo-verdiano “Saudade”, que “contagiou” os presentes.

No final da actuação, afirmou à imprensa estar a sentir “bem”, tendo em conta que o público esteve sempre envolvido.

Leyla fez saber que escuta muito a música cabo-verdiana e conhece seus artistas destacando a “diva dos pés descalços” Cesária Évora.

O “puro jazz” só veio as 00:55 com o grupo francês de jazz, os Sylvain Luc Trio, que durante uma hora deram uma apresentação “instrumental” muito apreciada e aplaudida pelo público.

A atracção da noite a brasileira Maria Gadú, só veio a acontecer depois de uma hora e meia depois da actuação do trio de jazz francês, ou seja, as 01:30, mas o público não “arredou o pé” e esperou ansiosamente.

Quando Maria Gadú subiu ao palco foi recebida pelo público com aplausos, num show que durou quase três horas, tendo partilhado o palco com a cantora cabo-verdiana Mayra com quem entoou quatro canções em dueto “Ilha de Santiago” e “SaKedú” em crioulo, sendo este último gravado no seu último álbum.

Antes de cantar a música conhecida do público cabo-verdiano “Shimbalaiê” a artista fez um apelo: “Diga não à homofobia”, tendo o show terminado perto das 03:00.

Maria Gadu fez questão de dizer à imprensa que a sua participação no KJF se deve à Mayra Andrade.

Para Mayra Andrade era importante que o público cabo-verdiano, neste caso os praienses e os sanvicentinos, tendo em conta que vai actuar hoje na Rua de Lisboa, conhecessem a Maria Gadú ao vivo, pelo facto de ser uma artista “muito conhecida” em Cabo Verde.

FM/FP

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