José Maria Neves admite candidatar-se a Presidente da República nas eleições de 2021

Cidade da Praia, 08 Ago (Inforpress) – O antigo primeiro-ministro José Maria Neves admite, com “alto nível de probabilidade”, que se candidata a Presidente da República nas próximas eleições de 2021.

José Maria Neves, que governou Cabo Verde durante 15 anos consecutivos, disse ao jornal Expresso das Ilhas, chegado hoje às bancas, que poderá ser candidato a inquilino do Palácio do Platô, mas que ainda não tomou essa decisão.

Na longa entrevista àquele semanário, Neves faz ainda um percurso pelos transportes aéreos em Cabo Verde, evacuações médicas, liderança do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) pelo acordo militar assinado entre o Governo de Cabo Verde e o dos Estados Unidos, conhecido por SOFA.

Questionado sobre o ‘timing’ para anunciar a sua candidatura às presidenciais de 2021, adiantou que, “eventualmente” isto poderá acontecer em 2019, início de 2020, “ainda antes das eleições autárquicas”.

“Eu não tenho obsessão em ser Presidente da República”, afirmou, deixando, porém, transparecer que “gostaria imenso” de continuar a contribuir politicamente para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Perguntado se acha que quem perdeu as eleições legislativas em 2016, perdeu as autárquicas, num partido que ser afastou das presidenciais tem condições para voltar a disputar as mesmas eleições em 2020 e 2021, respondeu nesses termos: “Se fosse eu, não faria esse percurso. Tomaria outras medidas”.

“Não posso colocar-me na posição da actual líder. Ela faz a sua avaliação, analisa e toma as melhores decisões conforme entender”, precisou José Maria Neves.

Referindo-se ao SOFA, defende que o país devia avançar nesse sentido.

“Estávamos a fazer esta negociação (SOFA), que já vinha desde há oito anos, sensivelmente. Formalmente, a proposta do acordo foi feita em 2008”, lembrou, acrescentando que depois da apresentação dessa proposta, foi criada uma comissão interministerial e houve um conjunto de pareceres, nomeadamente das Alfândegas, da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, da Agência Nacional de Comunicações, de juristas e de todos os outros sectores envolvidos, porque, prossegue, o citado acordo tem “várias valências”.

Segundo ele, alguns juristas apresentaram inconstitucionalidades em algumas disposições e outros propuseram adaptações.

“…Acontece que chega o actual Governo, praticamente põe de lado estas questões, assume o ‘draft’ tal e qual foi apresentado pelo Governo dos Estados Unidos e assina o acordo”, enfatiza o antigo primeiro-ministro, para quem “era preciso, eventualmente, um esforço maior para, aproveitando todo o trabalho feito, garantir maior conformidade”.

A seu ver, as questões relacionadas com o SOFA “deveriam ser discutidas com as comissões especializadas do Parlamento e consensualizadas com os dois principais partidos (Movimento para a Democracia e PAICV)”.

Aponta, ainda, que o assunto devia ser também consensualizado com “personalidades importantes” da vida política nacional, além de um “forte envolvimento do Presidente da República”.

No que tange aos transportes aéreos, assegura que o “maior erro” do actual Governo foi ter “desmantelado a TACV inter-ilhas e ter permitido o monopólio (privado) nos transportes aéreos inter-ilhas”.

Relativamente à Binter, revelou que esta transportadora aérea não começou a operar mais cedo em Cabo Verde por “decisão própria”.

“… Já tinha o certificado transitório de operador aéreo. Portanto, já tinha as condições para iniciar as suas operações provisoriamente, até que tudo estivesse cumprido para ter certificado definitivo”, indicou José Maria Neves.

De acordo com as palavras do antigo chefe do Governo, várias mensagens lhe chegaram no sentido de que a Binter quereria estar “numa situação de monopólio”.

“Cheguei a propor à Binter uma parceria no quadro dos TACV e disseram-me que a cultura dos TACV era uma cultura muito deficitária, que não levava à eficiência”, revelou o antigo primeiro-ministro, adiantando que a Binter só começou a operar no país com a “garantia da retirada dos TACV” do mercado interno.

Quanto ao transporte dos doentes, deixou transparecer que havia um “sistema montado” em que a TACV era “obrigada a fazer as evacuações”.

“Em caso de falha da TACV e da Guarda Costeira, a Cabo Verde Express entrava imediatamente”, concluiu Neves.

LC/CP

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