José Luiz Tavares gostaria que o sujeito do livro “Polaroides de Distintos Naufrágios” fosse ele

 

Cidade da Praia, 12 Jul (Inforpress) – O escritor José Luiz Tavares disse hoje que gostaria que o sujeito que aparece no seu mais novo livro de poemas “Polaroides de Distintos Naufrágios” fosse ele próprio, o autor da obra.

“Gostaria que esse sujeito que aparece nos textos fosse o José Luiz Tavares. Às vezes pode coincidir, às vezes pode não coincidir. Caberá ao leitor descobrir um rosto, senão um rosto real, pelo menos um rosto que gostaria de ter sido até esta altura”, manifestou o autor, na cerimónia de apresentação do livro.

Segundo José Luiz Tavares, trata-se de um sujeito que poderia ser José Luiz Tavares, porque o sujeito que aparece nos textos é sempre uma construção da literatura.

O escritor disse que “Polaroides de Distintos Naufrágios” é um livro de leitura diferente, tendo em conta que um escritor tem uma marca, um estilo próprio e as vezes, dependendo de um tema pode dar novas nuances ao trabalho.

“Neste caso sendo poemas de ambição biográfica, há uma marca visceral que não é habitual na minha poesia”, salientou José Luiz Tavares.

“São poemas inéditos em livro, alguns fui enviando às pessoas, aos amigos pelo dia dos meus anos, 10 de Junho. Depois parei de enviar os poemas para construir um livro que fosse não conhecido”, confirmou o autor.

“O livro tem um subtítulo (50 antisselfies) que pressupõe uma distância quer topológica, quer ontológica. Ao contrário da selfie, a polaroide implica a existência de um segundo, que é essa voz que se dirige a um tu, esse sujeito que as próprias palavras do poema inventam”, disse.

Em declarações à Inforpress, o poeta tarrafalense precisou que este livro teve origem na particularidade de, durante alguns anos, ter escrito poemas sobre esse sujeito que poderia ser o José Luiz Tavares e oferecê-los aos amigos pelo dia dos seus anos.

A obra é composta por duas sequências, sendo que a primeira, denominada “Primeiras águas”, é constituída por 30 poemas, e a segunda, intitulada “Areias do Tempo – Cartas a ti Mesmo no Dia dos Teus Anos”, formada por 20 poemas.

O livro será dado a conhecer ainda na terra natal do escritor, Chão Bom, concelho do Tarrafal (interior da ilha de Santiago), no fim-de-semana.

José Luiz Tavares nasceu em 10 de Junho de 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, tendo estudado Literatura e Filosofia em Portugal, onde reside desde há quase 30 anos.

Publicou “Paraíso Apagado por um Trovão (2003); “Agreste Matéria Mundo (2004); “Lisbon Blues seguido de Desarmonia” (2008); Cabotagem&Ressaca (2008); “Cidade do Mais antigo Nome” (2009); “Coração de lava” (2014); “Contrabando de Cinzas” (2016).

Por estas obras, já foi distinguido por diversas vezes, tendo ganhos os prémios, entres outros, o de Revelação Cesário Verde-CMO 1999; Mário António-Fundação Calouste Gulbenkian (2004); Jorge Barbosa-Associação de Escritores Cabo-Verdianos (2006); Pedro Cardoso -Ministério da Cultura de Cabo Verde (2009) e Cidade de Ourense (2010).

Por três vezes consecutiva, 2008, 2009, 2010, recebeu o Prémio Literatura para Todos, do Ministério da Educação do Brasil.

Os seus livros estão traduzidos para inglês, espanhol, francês, italiano, catalão, finlandês, russo, mandarim e galês.

Este ano, a convite da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil, integrou o júri do Prémio Camões 2017, que atribuiu o galardão ao poeta português Manuel Alegre.

JL/JMV

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