Jorge Carlos Fonseca promete falar com o seu homólogo da Guiné Equatorial sobre os direitos humanos (c/áudio)

Cidade da Praia, 15 Abr (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, garantiu hoje que vai abordar com o seu homólogo equato-guineense, Teodoro Obiang, questões sobre os direitos humanos naquele país da África Central.

“Vamos ter um diálogo político a dois, ou seja, entre os dois Chefes de Estado e este é o espaço mais adequado para falarmos com tranquilidade e toda a frontalidade, portanto tudo será abordado neste encontro”, precisou Jorge Carlos Fonseca, ao ser instado se a problemática dos direitos humanos na Guiné Equatorial consta da sua agende de trabalho com Teodoro Obiang, que iniciou esta segunda-feira uma visita de quatro dias a Cabo Verde.

Obiang visita oficialmente o país a convite do seu homólogo cabo-verdiano que também o convidou, enquanto presidente em exercício da Comunidade de Países de Língua portuguesa (CPLP).

A Guiné-Equatorial, diz Jorge Carlos Fonseca, é um país que partilha com Cabo Verde várias instâncias, nomeadamente a nível da União Africana e, também, da CPLP.

Segundo Jorge Carlos Fonseca, tendo em vista a sua “ambição de fazer com que a CPLP se consolide e se prestigie e tenha um papel cada vez mais activo na cena internacional”, e, tendo em conta, por outro lado, um programa “muito ambicioso” para a presidência da organização comunitária, é natural que tenha procurado visitar ou convidar para vir a Cabo Verde os Chefes de Estado de todos os países membros da CPLP.

A mobilidade no espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e a promoção da cooperação inter-comunitária e com outros países do mundo, de acordo com as palavras do Chefe de Estado cabo-verdiano, constitui um dos seus focos como presidente da CPLP.

No plano bilateral, prossegue, Cabo Verde tem interesse em “aprofundar as relações com a Guiné Equatorial” em áreas como as energias, novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), agricultura, navegação aérea e vários outros que possam “proporcionar-se através do diálogo” com aquele país.

Durante a estada do estadista equato-guineense em Cabo Verde estão previstas assinaturas de acordos, nomeadamente de protecção e promoção recíproca de investimentos nos dois países, assim como acordo que se destina a prevenir a evasão fiscal e de supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviço.

Jorge Carlos Fonseca deixou ainda transparecer que o arquipélago está a estudar a possibilidade de supressão de vistos para os passaportes ordinários dos dois países.

A Guiné Equatorial é o único país membro da CPLP onde ainda vigora a pena de morte. Na recente Cimeira entre Cabo Verde e Portugal, o primeiro-ministro português, António Costa, em conferência de imprensa, mostrou-se impaciente com a situação dos direitos humanos nesse país.

“Com toda a franqueza, temos de insistir junto da Guiné Equatorial que, se quer permanecer na CPLP, tem de se rever no quadro comum de valores” da CPLP: “Liberdade, democracia, respeito pelos direitos humanos, dignidade da pessoa humana”, enfatizou o chefe do Governo português, concluindo que a pena é “absolutamente incompatível” com esses valores.

LC/ZS

Inforpress/Fim