Jerusalém: Pence diz que embaixada dos EUA abre em 2019 em sessão marcada por protestos

Jerusalém, 22 Jan (Inforpress) – O vice-presidente dos Estados Unidos revelou hoje no parlamento israelita que a embaixada norte-americana em Jerusalém vai abrir em 2019, numa sessão marcada pela expulsão de vários deputados árabes que apuparam o número dois da administração Trump.

No seu discurso aos deputados israelitas, Mike Pence disse que a decisão do Presidente Donald Trump de transferir a embaixada de Telavive para Jerusalém acontecerá em 2019, antes do inicialmente previsto.

Em Dezembro, Trump justificou a decisão de mudar a embaixada por considerar que Jerusalém é a capital de facto de Israel, um anúncio que provocou contestação da comunidade internacional e, sobretudo, da Palestina e do restante mundo árabe.

A estimativa inicial para concluir a transferência da embaixada indicava um período de três a quatro anos.

Pence disse que a administração vai avançar com o plano nas próximas semanas, pelo que o processo estará concluído no ano que vem.

“No mês passado, o Presidente Trump fez História. Corrigiu uma injustiça com 70 anos, cumpriu a sua promessa para com o povo americano, anunciando que os Estados-Unidos reconheciam finalmente que Jerusalém é a capital de Israel”, disse Pence aos deputados no Knesset.

“Jerusalém é a capital de Israel, e por isso mesmo, o Presidente Trump deu instruções ao Departamento de Estado para iniciar imediatamente os preparativos para mudar a embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém (…) A embaixada dos Estados Unidos abrirá antes do fim do próximo ano” em Jerusalém, afirmou Pence, ouvindo um forte aplauso em resposta.

A presença de Pence no parlamento israelita, conhecido por Knesset, em Jerusalém, ficou marcada pela expulsão de vários legisladores árabes, que apuparam o vice-Presidente dos Estados Unidos no início do seu discurso.

O principal partido árabe no Knesset tinha alertado anteriormente que iria boicotar a sessão.

Ayman Odeh, líder da Lista Árabe Conjunta, considerou que o seu partido tem o “direito democrático” de boicotar o discurso do responsável norte-americano.

No Twitter, Odeh tinha dito que o partido não iria fornecer um “cenário silencioso” a um homem que apelidou de “perigoso racista”.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que o boicote era uma vergonha.

Tanto o primeiro-ministro israelita como outros deputados aplaudiram Pence de pé.

Face ao boicote dos deputados árabes, Pence deixou um recado aos palestinianos: os Estados Unidos “apelam com veemência” aos dirigentes palestinianos para que se juntem à mesa de negociações. A Autoridade Palestiniana tinha anunciado após a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel que iria cessar qualquer contacto com os responsáveis dos Estados Unidos, por considerar que não poderiam ser mediadores do conflito, por falta de imparcialidade.

O Knesset, estrutura habituada a visitas de alto nível como a de Pence, aumentou hoje as medidas de segurança, impedindo os deputados de se aproximarem de Pence.

Inforpress/Lusa