IV FMDEL: Cabo Verde apresenta sua experiência no processo de consolidação do poder local

 

Cidade da Praia, 18 Out (Inforpress) – O diálogo político sobre a cooperação territorial e parcerias como perspectiva transversal e supranacional para ampliar os processos e práticas de DEL serviu hoje para Cabo Verde apresentar a sua experiência no processo de consolidação do poder local.

O diálogo aconteceu no segundo dia do IV Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local (FMDEL), que decorre entre 17 e 20 de Outubro, que teve como oradores o presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV), Manuel de Pina, o presidente da Câmara de Sucre, Bolívia, Jorge Iván Collazos e o vice-ministro do Trabalho de Moçambique, Oswaldo Petersburgo.

O coordenador geral da Agência Andaluz de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento do Governo Regional da Andaluzia, Espanha, Nestor Fernández, e o representante da Agência Uruguaia de Cooperação Internacional, Lucia Hornes, foram também dos oradores no diálogo que foi moderado pelo consultor do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD), Giovanno Camilleri.

“Estamos num momento muito interessante no nosso processo de consolidação do poder local, já que em oito municípios já estão a ser construídas plataformas que congregam todos os actores, com um plano estratégico definido para projectar o desenvolvimento”, disse à Inforpress o presidente da ANMCV.

Outra experiência que o país apresentou durante o debate foi o turismo, sector que Manuel de Pina considera ser como “uma das bandeiras de Cabo Verde”, tendo em conta que o país não tem recursos naturais, mas que o sol e a natureza são as riquezas internas, motivo para a potencialização os mesmos e transforma-los em produtos turísticos por excelência.

“Em todos os municípios , estamos a valorizar o património municipal, por isso há que construir vários roteiros turísticos e ao longo desses roteiros explorar todo o potencial e promover a economia à volta dos pontos de interesse”, sublinhou Manuel de Pina, notando que é preciso identificar as potencialidades locais, saber o que os outros têm de igual e conhecer as tendências mundiais para, só depois, “traçar o rumo a tomar”.

Na mesma linha foi o vice-ministro do Trabalho de Moçambique, Oswaldo Petersburgo, que questionou se as agendas globais conhecem a realidade local ou se os decisores das agendas locais estão conscientes do que está a acontecer do ponto de vista local.

“É preciso perceber que alguns países vivem ainda de agricultura de subsistências e quando falamos de rendimentos familiares, as vezes abaixo dos 40 dólares, por isso, é preciso que as agendas globais, quando falam do desenvolvimento económico local, tenham em conta essas realidades locais e o que acontece, efectivamente, no local”, ressaltou.

O IV FMDEL, com o tema central “Desenvolvimento Economico Local (DEL) como meio para se alcançar a igualdade, equidade e coesão no quadro da localização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentado (ODS)”, prossegue nesta quinta-feira no Estádio Nacional de Cabo Verde, com plenárias, diálogo político, painéis interactivos e sessões de aprendizagens sobre vários temas relacionados com o desenvolvimento económico local.

Com a presença de mais de 2000 participantes, oriundos de dezenas de países de todos os continentes, a organização acredita que trazer o FMDEL para a África é uma oportunidade para se debater mais sobre as políticas e as iniciativas de desenvolvimento promovidas nos países africanos, em linha com a Agenda 2063 e a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, e enriquecer a visão compartilhada sobre o DEL com a experiência e perspectiva africanas.

Durante os quatro dias, mais de 190 oradores abordarão temas ligados ao desenvolvimento económico local em cerca de 50 sessões, com o objectivo e promover o diálogo, a troca de experiências e estimular parcerias, neste que é a primeira que um país da África organiza e acolhe o Fórum Mundial de Desenvolvimento Económico Local.

O primeiro FMDEL teve lugar em 2011, em Espanha, o segundo no Brasil, em 2013 e o terceiro em 2015, na Itália.

DR/JMV

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