Coreia do Norte: Constituição assume, pela primeira vez, estatuto de potência nuclear Imprimir e-mail
2012-05-31 11:55:22


Seul, 31 mai (Inforpress) - A nova Constituição da Coreia do Norte assume pela primeira vez o estatuto de potência nuclear, de acordo com o texto oficial, complicando os esforços da comunidade internacional para convencer Pyongyang a abandonar o desenvolvimento de armas atómicas.

O texto da nova Constituição, revista na sessão parlamentar de 13 de abril, foi agora publicado no site oficial das autoridades norte-coreanas Naenara (a minha nação, em coreano).

"O presidente da comissão de defesa Kim Jong-il fez do nosso país um Estado invencível em termos de ideologia política, um Estado dotado de arma nuclear e uma potência militar indomável, abrindo caminho à construção de uma nação forte e próspera", de acordo com o texto.

A Constituição anterior, revista a 09 de abril de 2010, não incluia a designação de "Estado dotado de arma nuclear".

A comissão de defesa norte-coreana é um dos órgãos mais importantes do regime de Pyongyang. Era presidida por Kim Jong-il, que liderou a Coreia do Norte até ter morrido em dezembro de 2011. Atualmente, o país é dirigido pelo filho, Kim Jong-un.

Estas declarações "sublinham que o Norte não tem qualquer intenção de abandonar o programa nuclear, sejam quais forem as circunstâncias", considerou Cheon Sung-whun do Instituto para a Unificação coreana, financiado por Seul.

Esta revisão é "seguramente uma má notícia para os participantes nas negociações a seis", sublinhou Kim Keun-sik, professor na universidade Kyungnam de Changwon.

As negociações a seis incluem as duas Coreias, a Rússia, os Estados Unidos, o Japão e a China e visam convencer Pyongyang a abandonar o programa nuclear em troca de ajuda.

Estas negociações estão num impasse desde dezembro de 2008. Pyongyang retirou-se oficialmente em abril de 2009, um mês antes de proceder a um segundo teste nuclear.

A Constituição norte-coreana é regularmente revista e, portanto, não se deve atribuir uma importância excessiva a este texto, acrescentou Kim Keun-sik.
Inforpress/Lusa

 
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