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| Síria: Maioria de abusos cometida pelas forças do regime - ONU |
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| 2012-05-24 12:07:14 | |
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A Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria, encarregada em 2011 pelo Conselho de Direitos Humanos de investigar a situação no país, concluiu que graves violações continuam a ser cometidas. A maioria dos abusos documentados pela comissão foi cometida pelo exército sírio e pelos serviços de segurança do regime durante operações de busca em locais utilizados por desertores ou por opositores ao regime, de acordo com o relatório. A comissão, que realizou 214 entrevistas desde março mas que não teve acesso à Síria, afirmou haver um “padrão claro” de bloqueios a cidades e bairros pelas forças governamentais “para eliminar” pessoas procuradas e seus familiares. “Morreram crianças por falta de cuidados de saúde adequados durante bloqueios do governo”, concluiu a comissão. “Algumas pessoas, incluindo pessoas com ferimentos resultantes de tortura, foram deliberadamente impedidas de receber tratamento médico”, acrescentou. O painel sublinhou a “negação sistemática” nalgumas áreas de acesso a comida e água e as restrições de movimentos impostos pelas forças governamentais. A investigação concluiu que o regime de Damasco continua a proceder a execuções extrajudiciais e à tortura, incluindo contra crianças. Rapazes de 10 anos, “detidos pelas forças públicas, indicaram em vários casos ter sido torturados para confessar” que membros da família eram simpatizantes das forças que combatem o regime. Mais de 12.600 pessoas foram mortas na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. A comissão, dirigida pelo brasileiro Paulo Pinheiro, foi criada em agosto de 2011 e este foi o segundo relatório que produziu. No primeiro, deu nomeadamente conta de “crimes contra a humanidade” cometidos pelas forças de segurança sírias. No período a que este segundo relatório diz respeito, 01 de março a 10 de maio de 2012, a comissão conseguiu confirmar 207 mortes. Segundo os especialistas da ONU, durante os bloqueios governamentais, as forças sírias exigem a entrega de opositores ou desertores, lançando depois ataques aos locais. “Qualquer pessoa que fosse vista a tentar sair da zona evitando os bloqueios, era considerada membro ou apoiante dos grupos armados contra o regime e abatida a tiro”, de acordo com o relatório. O documento também destaca as informações de captura, tortura e assassínio de membros das forças de segurança e presumíveis informadores por grupos opositores. “Um combatente de um grupo armado contra o regime admitiu que ele e os seus companheiros mataram soldados que se recusaram a desertar”, afirmou. A comissão também registou episódios em que grupos armados sequestraram civis, aparentemente para os trocar por presos, e de usarem crianças nos combates.
“A comissão recebeu provas de que grupos armados têm usado frequentemente crianças como maqueiros, mensageiros e cozinheiros das unidades no terreno”, afirmou. |