Independência/43 anos: Texto da proclamação enaltece o papel das “modernas gerações” na luta pela independência

Cidade da Praia, 05 Jul (Inforpress) – O texto da proclamação da independência nacional, lido há precisamente 43 anos, enaltece o contributo das “modernas gerações” na emancipação social das ilhas, bem como o princípio da Unidade da Guiné/Cabo Verde na mobilização da consciência nacional.

O documento lido pelo então presidente da Assembleia Nacional Popular, Abílio Duarte, começa por aludir à história sobre as reiteradas tentativas de emancipação social das ilhas, afirmando que embora tenham deixado mártires e gerado heróis anónimos, foram “sempre estranguladas” pela opressão colonial.

Segundo o mesmo, coube às modernas gerações, iluminadas pela ideologia de libertação dos povos colonizados e impregnados pelo espírito de Bandung, compreender que o problema da miséria e do atraso social das ilhas de Cabo Verde reconduzia-se a um problema político.

Como tal, lê-se no documento, jamais poderia ser resolvido no quadro da sujeição colonial e da alienação da liberdade humana.

“Antes de mais postula-se a reivindicação e luta pela independência”, reforça.

Todavia, na missiva, advoga o primeiro presidente da casa parlamentar cabo-verdiana que para empreender com êxito esta luta “desigual” face à expressão numérica das realidades em confronto e o prestígio de “falsos valores” dominantes em vastas regiões da comunidade internacional, era, na conjuntura histórica, necessário que os povos africanos superassem a escala nacional e potenciassem a sua energia vital na cooperação de esforços e na unidade de propósitos revolucionários.

“Assim, Amílcar Cabral, fundador e militante nº 1 do PAIGC, concebe a genial ideia de renovar no sentido do Povo e de reestruturar na matriz política da libertação dos povos do Terceiro Mundo, a unidade dos filhos da Guiné e Cabo Verde”, enaltece.

Refere ainda a mesma fonte que assim se funda e se constrói o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), “força de expansão revolucionária e aglutinante” da consciência nacionalista na Guiné e em Cabo Verde, “motor histórico de renovação mental, social e ideológica”, segundo as linhas da acção construtiva e da pedagogia política do imortal guia, Amílcar Cabral.

“O princípio da Unidade da Guiné e Cabo Verde, concebido para a luta e forjado na luta, que já estava prefigurado na nossa comunhão de sangue, de martírios e de História, deu provas irrecusáveis como factor decisivo de mobilização da consciência nacional, de organização para a luta e de transmutação da nossa Sociedade”, considera.

Coroada de glória, a confrontação política e armada na Guiné-Bissau, onde se iniciou a derrocada do Império Colonial Português, acrescenta, o PAIGC intensificou a luta revolucionária nas ilhas.

“Lançou justas palavras de ordem correspondentes às profundas aspirações e aos interesses vitais do nosso povo, mobilizou as camadas trabalhadoras alienadas à omnipotência do Estado colonial, deu aos trabalhadores públicos e da actividade privada uma nova consciência de dignidade na liberdade, inspirou greves e manifestações de protesto contra actos repressivos da ordem colonial, dinamizou movimentos de massa para reivindicação de bens e valores pertencentes ao sagrado património do Povo”, enumera.

Assim, segundo Abílio Duarte, a vontade “inequívoca” das massas populares confirmou, no terreno “firme e eloquente” dos factos, a legitimidade representativa que ao PAIGC haviam reconhecido as mais altas instâncias da Organização da Unidade Africana e das Noções Unidas.

“Assim, nós, povo das ilhas, quebramos as cadeias da subjugação colonial e escolhemos livremente o nosso destino africano, e a história reterá que filhos do nosso povo glorioso de Cabo Verde, que se bateram com valentia na frente de luta armada na Guiné, estiveram prontos e decididos para o combate armado em Cabo Verde também, se tal viesse a revelar-se como a única via para a libertação das nossas queridas ilhas”, lê-se.

O então presidente da Assembleia Nacional Popular finaliza a sua missiva de proclamação da independência de Cabo Verde com a célebre frase “Povo de Cabo Verde: Hoje, 5 de Julho de 1975, em teu nome, a Assembleia Nacional de Cabo Verde proclama solenemente a República de Cabo Verde como Nação Independente e Soberana”.

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